Os assassinos do advogado Rogério Tadeu de Carvalho, 27, estão atrás das grades. Depois de um trabalho de investigação que durou um ano e nove meses, os policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) esclareceram o crime ontem. A vítima foi morta pelos irmãos Cristiano e Egildo José da Silva durante um roubo mal sucedido. O homicídio teve grande repercussão no Estado e a Secretaria de Segurança Pública chegou a pressionar a polícia para esclarecê-lo.
O crime aconteceu na noite do dia 12 de agosto de 2004. Rogério conversava com a namorada diante da casa dela, na Rua Voluntário Adriano Cintra, Vila Nova, quando Cristiano e Egildo se aproximaram em uma moto. Na garupa, Cristiano exigiu a chave do carro do advogado que estava estacionado ao lado. O assaltante se assustou com a reação da vítima e deu um tiro em sua cabeça. Eles fugiram sem nada levar. O advogado ainda foi socorrido, mas morreu logo depois.
Rogério era membro de tradicional família de advogados francanos. A repercussão de sua morte foi imediata e, até mesmo, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) chegou a cobrar a Polícia Civil para prender os autores do crime.
Ao longo das investigações, a equipe chefiada pelo delegado Wanir José da Silveira Júnior ouviu vários suspeitos, inclusive a namorada da vítima, a qual teve a participação descartada. Neste ano, o investigador Wellington Amato começou a investigar os irmãos Cristiano e Egildo que poderiam estar envolvidos no crime. “Fomos juntando as peças e as suspeitas se intensificaram.
A moto que eles usavam para cometer roubos na região era semelhante à usada pelas criminosos que mataram Rogério. Também conseguimos encontrar testemunhas que ouviram os irmãos dizerem que haviam matado o advogado”, contou o delegado Wanir.
O caso estava praticamente esclarecido, mas ainda faltava a confissão dos acusados. No começo da semana, Cristiano e Egildo deixaram as penitenciárias de Serra Azul e Araraquara, respectivamente, onde cumprem pena por outros roubos cometidos na região de Franca e foram trazidos para a sede da DIG. Diante das evidências, assumiram a autoria do crime ontem. Chegaram a reconhecer inclusive a arma usada para matar o advogado, um revólver calibre 38 com balas “Hollow Pointer” (ponta oca), ainda mais letal que a munição comum. Na tarde de ontem, voltaram à cena do crime e fizeram a reconstituição.
Os irmãos são velhos conhecidos da polícia e já perderam as contas de quantos roubos cometeram. Ficaram famosos em março do ano passado ao fugirem algemados de um camburão na porta do Fórum de Patrocínio Paulista. Ainda em 2005, Egildo metralhou a porta da cadeia de Itirapuã para tentar resgatar o irmão.
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