Júri condena assassina a 132 anos de prisão


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Policiais retiram Edna da viatura que a transportou até o Fórum de Batatais
Policiais retiram Edna da viatura que a transportou até o Fórum de Batatais
Edna Emília Milani, 24, foi condenada a 132 anos, dez meses e oito dias por participar do assassinato de cinco pessoas da mesma família. O julgamento, realizado no Fórum de Batatais, começou pouco depois das 9 horas da manhã e se estendeu pela madrugada de hoje. À meia-noite os jurados ainda estavam trancados em uma sala decidindo qual seria o veredicto, que saiu no meio da madrugada. Os advogados da ré disseram que vão recorrer. O crime aconteceu no dia 26 de março de 2002 e ficou conhecido como a Chacina de Batatais. Todas as vítimas eram da família de Carlos Fabiano Faccion, 28, namorado de Edna e co-autor do crime. Foram mortos com golpes de barra de ferro e facadas os pais de Faccion, Maria Aparecida da Silva e Carlos Roberto Faccion, e três irmãos, Elaine Cristina, grávida de 9 meses, Lucas, de 14 anos, e Tália, de 4. Duas crianças agredidas, o irmão Luís Henrique, então com 7 anos, e a sobrinha Laira (filha de Elaine), com 3, perderam massa encefálica, mas sobreviveram. Ele vive com uma tia e a menina com o pai. O casal foi auxiliado por um menor, que tinha 13 anos na época. Edna chegou ao Fórum de Batatais na manhã de ontem, levada da Cadeia Feminina de São Simão, onde aguardava o julgamento. Na porta do Fórum, com documentos nas mãos para provar o grau de parentesco, familiares das vítimas disputavam os primeiros lugares no plenário. Uma das primas de Faccion desabafou a indignação da família pelo crime, que continua a chocar sempre que relembrado. “Minha mãe ficou doente depois disso. Ela merece morrer na cadeia. O que desejamos a ela é a morte”, disse a dona-de-casa Claudinéia Scandelari Caçan, 29. NO TRIBUNAL Em depoimento, Edna deu nova versão aos fatos. Disse que esteve presente na cena do crime, porém não foi responsável pela morte de nenhuma das vítimas e somente confessou o crime, em depoimento à polícia, por temer que Faccion a matasse, junto com a filha dela. Após o depoimento de Edna, a pedido da Promotoria, foram exibidas diversas fotos, registros em áudio e vídeo com imagens da cena do crime e depoimentos à polícia e à imprensa, em que Faccion, Edna e o menor confessam o crime. Este foi o momento de maior comoção ontem. Várias pessoas deixaram o salão do júri aos prantos. Uma das primas do acusado chegou a desmaiar após ver imagens da autopsia dos corpos. Em nenhum momento Edna olhou para as imagens, apenas balançou a cabeça discordando do que ouvia. “Entrevistas, gravações, imagens, tudo será mostrado porque é direito constitucional do julgador ter conhecimentos de todas as provas do processo e, infelizmente, apesar de ser chocante até para nós, vamos ter que ter acesso a isto”, disse o promotor Eduardo Pereira Gomes. Antes do início do julgamento, o advogado de defesa, Braz Porfírio Siqueira, 60, chegou a questionar a veracidade da confissão de Edna feita quando ela foi presa pouco depois do crime. . “Ela confessou na primeira fase, na polícia. E na polícia as pessoas costumam confessar o que fizeram e o que não fizeram”. Os jurados não pensam o mesmo. Depois de permanecerem reunidos em uma sala por cerca de 4 horas para julgarem os oito crimes pelos quais Edna era acusada, decidiram pela condenação em todos. À 1 hora de hoje, a juíza da 1ª Vara Cível de Batatais, Simone de Figueiredo, começou a leitura do veredicto para um público de aproximadamente 15 pessoas, a maioria familiares das vítimas. A maior condenação recebida pela ré foi pela morte de Talia Roberta Faccion, 3. No caso, a pena aplicada a Edna subiu de 19 anos e 20 dias para 22 anos, dois meses e 22 dias.

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