A Delegacia de Defesa da Mulher de Franca investigará a morte por insuficiência renal da sapateira Nadir Aparecida de Souza de Oliveira, 45, ocorrida anteontem, na Santa Casa, depois de ter passado quatro vezes, em uma semana, pelo Pronto-Socorro Municipal “Doutor Janjão”. A família acusa médicos de negligência e omissão de socorro. A Secretaria de Saúde nega omissão, mas apurará falhas no atendimento. A promotoria aguardará a conclusão do inquérito policial, em curso na Delegacia da Mulher, para decidir quais providências serão tomadas.
Moradora do Jardim Paulistano, Nadir Aparecida foi atendida no PS nos dias 4, 6, 7 e 9 de maio. Exatamente após sete dias do primeiro atendimento conseguiu vaga de internação na Santa Casa, mas morreu pouco tempo depois.
Com fortes dores no abdômen, Nadir teve seu primeiro atendimento quinta-feira, 4, onde tomou soro e injeção para tirar dor, após exame que constatou infecção urinária. No sábado, como não apresentava melhora, foi levada pela cunhada. “Ela estava debilitada, só vomitava e sentia muitas dores e mal conseguia andar, mas os médicos disseram que na Santa Casa não tinha vaga”, afirmou a cunhada Dulce Ferreira Santos. Na tarde de domingo foi a vez da filha levá-la ao “Janjão. Simone Aparecida de Souza, 30, disse que sua mãe ficou sendo medicada das 15h de domingo até 5 horas da manhã de segunda-feira. Durante este período, várias tentativas de internações foram feitas. “Na troca de plantão após tomar outra injeção, minha mãe dormiu. O médico que substituiu o primeiro a liberou para ir embora, mas falei que não estava boa e precisava ser internada, quando ele falou que não era caso de internação”, contou Simone.
Antes de ser liberada pela terceira vez, uma radiografia foi feita, apontando um pequeno cálculo renal. “O médico deu mais soro e avisou que ela ficaria bem, porque ele tinha lhe dado um sossega leão”, disse a filha.
Na terça-feira, em estado grave, a família resolveu chamar o resgate, acreditando que desta maneira seria internada na Santa Casa. Segundo familiares, a sapateira deu entrada no PS às 9h, onde uma série de exames foi realizada, e somente quando ela estaria em coma e após muita insistência conseguiram finalmente uma vaga na Santa Casa. Ao chegar na Santa Casa na noite de terça-feira, ela foi direto para o CTI. Na manhã de quarta-feira, a família de Nadir recebeu informação de sua morte. “Minha mãe teve a vida ceifada, sem que pudéssemos fazer nada”, desabafou a filha.
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