Cerca de 300 alunos da Escola Estadual Michel Haber, no Jardim Paulistano II, se recusaram a voltar para as salas de aula na noite de ontem como forma de protesto. O motivo da manifestação foi a qualidade da merenda escolar fornecida pela prefeitura de Franca desde o início do ano: um pão, de acordo com os estudantes, “duro e seco”.
Os alunos surpreenderam a direção da escola no final do intervalo, por volta das 21 horas. Uma representante dos estudantes, Talita Melo, 20, informou à diretora, Zuleika Roncari Rocha, a disposição em permanecer no pátio. “Eu disse que eles estavam no direito deles”, afirmou Zuleika. Talita informou o protesto à imprensa e ninguém voltou às salas.
Quando a equipe do Comércio chegou ao local, os alunos se encontravam ainda no pátio. Pacificamente, os estudantes, que cursam o ensino médio e o EJA (Educação para Jovens e Adultos) exibiam cartazes que reivindicavam uma merenda melhor. Um deles continha a pergunta: “Cadê a nossa qualidade de vida?”. Essa mesma frase usou, pouco depois, Talita Melo para explicar a indignação dos alunos. “É injusto. Os períodos da manhã e da tarde têm merenda e nós não. E nós somos os que mais precisamos”, disse. Talita explicou que muitos dos seus colegas trabalham durante todo o dia e vão para a escola sem fazer nenhuma refeição. “A merenda é muito importante para todos”.
Professores da escola estadual afirmaram que muitas vezes a quantidade de pães enviada não é suficiente para todos os alunos. A diretora explicou que é a prefeitura municipal quem envia a merenda e também deveria ceder uma funcionária para prepará-la. Mas, desde o início do ano, a escola não conta com ninguém para a função. Nem a diretora, nem os professores, nem os alunos souberam explicar a razão da dispensa da antiga merendeira.
A manifestação só terminou no momento da saída dos alunos, por volta das 22h55. Prometeram que a partir da semana que vem não assistirão às aulas após o intervalo caso não recebam uma merenda “decente”.
A reportagem do Comércio da Franca tentou entrar em contato com a secretária municipal de Educação, Leila Haddad, por meio de seu telefone celular, ontem, por volta das 23h30, para tentar ouvi-la em relação ao assunto desta matéria, mas não obteve êxito. O aparelho estava desligado.
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