‘Quero meu filho de presente’, diz mãe de desaparecido


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Aparecida de Almeida Rangel, 70, e Rosa Arruda, 79, não se conhecem, mas vivem dramas semelhantes. As coincidências entre as histórias dessas duas mulheres são impressionantes. Às véspera de mais uma comemoração do Dia das Mães, no domingo, as duas que foram vítimas de AVC (ataque vascular cerebral), sonham em encontrar os filhos desaparecidos, que supostamente estariam em Franca. Acamadas e com dificuldade de comunicação, para as mães, vê-los novamente seria o maior presente de suas vidas. Os dois desaparecidos têm mais de 55 anos e ambos desapareceram há mais de uma década. Aparecida é natural de São Paulo, do bairro Vila Maria, e procura pelo filho José Donizeti Rangel, nascido em 28 de janeiro de 1957. Segundo Paulo Nogueira, cunhado do desaparecido, a última notícia que a família teve dele foi há mais de dez anos. “Na época ele morava no Guarujá e teria se mudado para Franca. A partir de então, perdeu contato com os familiares”, disse. José Donizeti tem seis irmãos vivos (Messias, Fernando, Mauro, Ângela Maria, Maria da Conceição e Sueli). O sétimo irmão, Mário, morreu há 20 dias em um acidente que também vitimou seu pai José Rangel. “Todos estão muito tristes e precisam dessa alegria nesta data especial”, disse Paulo, emocionado. Para ele, o encontro do cunhado contribuiria para com a melhora da saúde de sua sogra. “Queria presenteá-la com notícias do filho, pois é muito triste vê-la de cama, escrevendo em um pedaço de papel o nome José Donizeti”. A família, de origem humilde, não tem fotos de José Donizeti Rangel e não sabe qual sua profissão, se está casado ou se tem filhos. “Além de não ter muitas condições financeiras, sua vida era de nômade e talvez isso tenha contribuído para a perda de contato”, explicou o cunhado. Em Campinas, a 99 quilômetros de São Paulo, outra mãe chora pelo sumiço da filha. Rosa Arruda deseja reencontrar a filha Monalisa Mônica Leme, 55. Ela é a mais velha de cinco filhos (4 mulheres e 1 homem) e está desaparecida desde a década de 70. “Na época, ela era jovem e resolveu tentar a vida em Franca. Nunca mais voltou”, disse a irmã Nara Mônica Arruda, que luta para ver atendido o pedido da mãe. “Somos do Paraná, mas morávamos em São Bernardo do Campo quando ela resolveu ir embora”. Segundo Nara, a irmã Monalisa teve dois filhos (Saulo Fabiano e João Marcos), mas não era casada. “Se ela não tiver condições de viajar até a nossa casa, faço questão de buscá-la em Franca para passar o Dia das Mães com a gente”, disse. Monalisa perdeu o pai José Chardulo há 12 anos e certamente nem sabe disso. Ontem, durante os programas da rádio Difusora AM (1.030 kHZ), a apresentadora Cíntia Flávia apresentou os dois casos e pediu para que familiares ou conhecidos dos desaparecidos entrem em contato com a reportagem. A campanha para encontrá-los continua e se alguém tiver alguma notícia de José Donizeti Rangel ou Monalisa Mônica Leme pode ligar para o jornal Comércio da Franca no telefone (16) 3713-8859 ou para a rádio (16) 3713-8999.

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