Quase um ano depois, a Polícia Civil de Franca conseguiu esclarecer o assassinato do caminhoneiro Paulo Roberto Vicente, 59, ocorrido no interior de um bar na Vila Santa Terezinha. Como se suspeitava, a vítima foi morta por engano. O alvo era José Ferreira de Almeida, 56, o “Zequinha”, dono do estabelecimento.
Preso na terça-feira, o autor do disparo confirmou que não conhecia a pessoa que deveria matar. O erro de execução revelou particularidades do crime organizado, onde falhas do tipo não são perdoadas. O responsável pagou com a sua expulsão da facção criminosa a qual integrava.
Por meio de interceptações telefônicas, a polícia apurou que integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) baseados no Parque Vicente Leporace encomendaram a morte do dono do bar. No começo do ano passado, ele foi testemunha de um flagrante de tráfico de drogas que culminou com a prisão do envolvido. Desde aquele dia, foi jurado.
O acerto de contas foi marcado para a noite do dia 28 de julho de 2005. “A pessoa designada para matá-lo foi Givanildo Pereira Dias, 26, o “Scop”, responsável pelo abastecimento de drogas na região do Parque Vicente Leporace”, disse o delegado Pedro Luiz Dallaqua, responsável pelas investigações.
Scop, por sua vez, decidiu “terceirizar” o serviço e contratou um adolescente de 16 anos para cometer o assassinato. O menor foi levado por um motoqueiro do Leporace até a Vila Santa Terezinha.
No bairro, pediu informações sobre o bar e as características da vítima que deveria ser alvejada. Acabou matando a pessoa errada.
O vacilo custou caro a Scop, o encarregado do serviço. Como retaliação, foi expulso da facção criminosa. E mais: foi impedido de vender drogas no Leporace. Ele é o mesmo criminoso flagrado em escutas telefônicas (divulgadas em abril pelo Comércio)
implorando ao líder do grupo para poder voltar a traficar. “Não sei fazer nada da minha vida não, irmão. Tenho 25 anos já. O que vou fazer? Tô no crime desde os 12 anos”. Com prisão decretada pela Justiça por tráfico e pelo homicídio, Scop está foragido.
Seu irmão e outros dois traficantes, acusados de integrarem a mesma quadrilha, foram presos ontem à noite durante operação da Dise.
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