O Pronto-Socorro Municipal “Doutor Janjão” continua sendo a pedra no sapato da administração. Há médicos e funcionários de menos e pacientes demais. Não há conforto, a orientação aos pacientes é precária e os atendentes não estão entre os mais amistosos da rede pública.
Ontem, a fim de comparar os dois sistemas (PS e UBS), a reportagem permaneceu por mais de duas horas na sala de recepção do “Janjão”. Pacientes que chegaram de manhã e outros, por volta do meio-dia, amargavam uma espera pelo atendimento que podia chegar a quatro horas.
Eduardo Henrique de Souza, 21, sapateiro, chegou ao PS às 12h20 com fortes dores de estômago. Foi atendido às 15h52. Saiu sete minutos depois. Reclamou do atendimento do médico, que não o teria examinado, mas, mesmo assim, receitado uma injeção que o paciente não conhecia. O tempo de espera também não foi considerado para fins de atestado médico. O documento apontava o horário de atendimento entre 16 e 17 horas.
Esta foi a segunda vez em que Souza, segundo afirmou, foi atendido no PS. Pela sua descrição, o resultado do atendimento foi pífio. “Pior é que vim para cá depois de passar por três UBS (Brasilândia, Aeroporto e Paulistano)”, disse.
Às 16h30, perto de 40 pessoas aguardavam o atendimento.
Lotado permanentemente, não há espaço para circulação, as cadeiras não oferecem conforto nem mesmo para quem passará poucos minutos sentado e uma poluição visual, com cartazes que divulgam de tudo, inclusive a venda de um saxofone.
A alta demanda cria um círculo vicioso em que médicos passam os olhos pelos pacientes e, na maioria das vezes, fazem um atendimento que deixa a desejar.
Para o secretário Alexandre Ferreira, da Saúde, o quadro se repete porque o usuário recorre ao PS ao menor sinal de indisposição, ignorando a unidade básica de seu bairro ou região, que poderia atendê-lo com horário marcado.
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