Duas horas de conversa e nada definido. Na reunião realizada ontem na prefeitura de Cristais Paulista entre os coordenadores do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra), o advogado do movimento, José Antônio Castro, o advogado do Grupo Samello, Reginaldo Luiz Estephanelli, e o diretor da MSM (empresa que fabrica solas de calçados), Norberto Antônio Gaia se encontraram ontem para definir quando e como os acampados deixariam a Fazenda Nova Mata, mas não chegaram a um consenso.
Os sem-terra queriam 15 dias para cumprir a ordem de reintegração de posse e ainda exigiam que a área seja vistoriada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Do outro lado, o Grupo Samello quer que a área seja desocupada o mais rápido possível. Como não chegaram a nenhum acordo, uma nova reunião será marcada. No início da noite de ontem foi realizada uma assembléia com os militantes que se encontram no acampamento e hoje a coordenação entrará em contato com o advogado da Samello para marcar um novo encontro.
O advogado do Grupo Samello disse que a desocupação vai ocorrer de qualquer forma, a empresa só espera que seja de forma amigável. “Falta discutir alguns detalhes para a reintegração de posse. Eles vão se reunir entre eles, nós vamos conversar com o diretor da empresa e voltamos a nos reunir em data a ser definida. Hoje firmamos um acordo, em que os sem-terra se comprometeram a respeitar o patrimônio da empresa”, disse Estephanelli.
Vilmar da Silva, um dos coordenadores do MLST, disse que caso não consigam o que querem estão dispostos a resistir. “De qualquer forma, para a fazenda passar por vistoria precisamos deixar o local”, disse Silva. Caso um acordo não seja firmado em breve, a polícia poderá ser acionada pela Justiça para que seja cumprida a reintegração de posse.
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