Nelise Luques e Toni Ribeiro
da Redação
Ainda é cedo para qualquer definição, mas uma mudança significativa na qualidade do atendimento e no tempo de espera por consultas nas unidades básicas de saúde de Franca está em curso, para melhor. A surpresa positiva pôde ser verificada ontem, quando a reportagem do Comércio da Franca percorreu todas as 14 UBS do município. Mais de 30 usuários entrevistados, no mínimo dois em cada uma das unidades, reconhecem que houve redução no tempo de espera entre a marcação e a realização da consulta. Também há melhora relação entre pacientes e profissionais de saúde, eterna fonte de reclamações para a Secretaria de Saúde.
Para poder checar o serviço prestado nas unidades, o Comércio enviou quatro equipes, que estiveram nas unidades simultaneamente, entre 7 e 12 horas. A idéia era avaliar o nível de satisfação dos usuários com o atendimento, ouvir os pacientes e acompanhá-los. Em alguns casos, servidores foram abordados. A constatação é que os ventos sopram a favor das Unidades Básicas de Saúde. Resultado de uma nova política da Secretaria de Saúde ou não, o período de melhoras coincide com a posse do secretário Alexandre Ferreira, em 18 de março, no lugar de Eduardo Sandoval.
Em postos como o do Jardim Planalto, por exemplo, mulheres que procuraram por consultas com ginecologista ontem, conseguiram consultas para hoje às 7 horas. Roberta Daniela dos Santos, 24, foi uma delas. Aguardou pouco para obter a marcação da consulta e disse que em outros tempos a espera era superior a três semanas.
José Carlos de Oliveira, 70, foi garantir um lugar para a mulher. Sua consulta está marcada para hoje, às 7 horas. Na unidade do Jardim Leporace, bairro com uma das maiores concentrações populacionais de Franca, o movimento era baixo e, ainda assim, concentrado em pediatria e odontologia. Existiam vagas em ambas as especialidades ontem. A UBS chama a atenção pela limpeza e pelo silêncio.
Na Estação, às 7h30, perto de 20 pessoas aguardavam ser atendidas. Não havia demora nas chamadas. A sapateira Silvana Dionízio, 32, levou o pai para ser atendido. Chegaram às 6 horas, com consulta marcada para as 7. Foram atendidos às 7h20. O motorista Luís Adriano Moraes, 31, no entanto, chegou às 2h30, para, após dormir na fila, conseguir uma vaga para consulta com clínico-geral.
MENOS MAL
Na UBS do Jardim Guanabara, pacientes reclamaram do tempo de espera no dia da consulta. Gente como a dona de casa Ana Lígia Cabral, 53, que havia marcado atendimento para as 9 horas, chegou às 8, mas só foi recebida às 11h35. Mas até esta demora é vista com normalidade por alguns paciente que a colocam no mesmo patamar da espera em clínicas particulares.
A reportagem registrou outras queixas, menores, se comparadas ao ganho no atendimento. No conjunto formado pelos postos dos jardins Aeroporto I, II e III e Ângela Rosa, há desconforto para os usuários e funcionários. O mesmo acontece no Parque Progresso, mais ao centro da cidade. Uma nova pintura não faria mal e deixaria o local mais acolhedor. No Paulista, a estrutura é apertada.
Reclamações sérias mesmo, os repórteres ouviram quando visitaram o Pronto-Socorro “Dr. Janjão”. Os bons ventos não passaram perto do atendimento de urgência e emergência, que continua caótico.
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