Intelectualmente, Vinícius tem 7 anos


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Apesar de não haver um diagnóstico preciso do comportamento e aptidões de Vinícius Lemes Araújo, 4, alguns especialistas detectaram precocidade do seu desenvolvimento. Uma delas é a psicopedagoga Simone Vioto Monteiro, que o avaliou durante cinco meses em 2005. O relatório da profissional aponta que é uma criança dotada de altas habilidades, com leitura fluente, boa desenvoltura e raciocínios lógico matemáticos e memórias visual e auditiva marcantes. “Vinícius lê qualquer palavra e escreve com acentuação correta”. A pedagoga especializada em deficiências da rede estadual de ensino, Maria Lúcia da Silva, é categórica ao comentar o comportamento dele: “A criança foge da normalidade dentro da leitura e escrita. Possui altas habilidades. A idade cronológica dele é de 4 anos e a intelectual, de 7”. Ela detectou os avanços intelectuais a partir de um encontro com Vinícius e os familiares, ocorrido há duas semanas, para saber as possibilidades de inseri-lo em alguma escola estadual. “Avaliei a leitura, compreensão e interpretação que apresenta e detectei uma fluência muito boa e clara, com as devidas pausas. É impossível ele usar a memória e associações para ler e escrever como faz. Ele não decoraria tantas coisas. Ler é um processo de construção muito complexo que ele faz com desenvoltura”. Para uma avaliação mais precisa, Maria Lúcia quer matriculá-lo na primeira série para trabalhar com ele em grupo e conhecer as facilidades e dificuldades. “Os portadores de altas habilidades costumam ter desempenho expressivo em determinadas áreas e deficiências em outras. Precisamos estudar e avaliar o caso do Vinícius para aprender a lidar com ele e outros estudantes com talentos especiais e fazer as devidas adaptações curriculares e didáticas”, disse a especialista. Até o momento, o único contato do garoto com a escola foi no ano passado, quando aos 3 anos ganhou bolsa para estudar no maternal de uma escola particular da cidade. A coordenadora pedagógica da unidade, Graziela Escavassini, que o acompanhou por um semestre, não acredita em habilidades extraordinárias. Para ela, o único diferencial do aluno em relação aos outros da classe era o fato de saber ler e escrever. “Particularmente, não acho que o Vinícius seja superdotado, mas uma criança muito estimulada pelos pais e que responde bem a isso”, disse. O garoto poderia continuar na escola neste ano. Foram concedidos 70% de desconto, mas os pais não o matricularam. “Teríamos que pagar R$ 70 por mês, mas não pude assumir isso. Precisamos de bolsa integral”, disse a mãe Maria Lúcia.

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