Vinícius Lemes Araújo completou 4 anos em março. Mora no Centro com os pais Élcio Araújo, artista plástico, e Maria das Graças Lemes Araújo, economista, e a irmã Júlia, 2. O garoto impressiona pelas habilidades que possui. Sabe ler e escrever desde os 2 anos e meio (a idade esperada para fazê-lo é a partir dos 5 anos).
Conta até 200. Faz somas de cabeça. Digita palavras no Word com acentuação correta. Sabe os telefones e endereços de alguns parentes. Quando encontra as pessoas, soletra o nome delas com facilidade: D-i-v-a-l-d-o, disse ao fotógrafo do jornal.
O armário de brinquedos também é variado. Ele tem bola, carrinhos plásticos, aviãozinho, cavalinho de madeira, livros infantis - Peter Pan é o preferido -, cartilhas, jogos de memória, caça-palavras, panfletos de supermercado e revistas Veja e Quatro Rodas. Os pais contam que ele gosta de saber os preços nos supermercados e é apaixonado por carros. Ao olhar as fotos dos veículos, consegue nomeá-los sem dificuldades: Ford, Gol, Corsa, Fox... Vinícius já escolheu quais modelos comprará quando crescer: um Astra e um Mercedes.
Os familiares perceberam as aptidões da criança por volta dos 8 meses de idade. “Ele era bebê, nem falava ainda e já conhecia as bandeiras do Brasil, Japão, Argentina... Mostrávamos os desenhos e ao falar a nação, ele apontava com o dedinho. Fomos percebendo que Vinícius era diferente, com uma inteligência avançada para a idade dele”, disse Maria das Graças.
Numa lousinha, os pais ensinaram as letras. Aos 2 anos e meio, o filho reconhecia o alfabeto e lia as palavras. Desde então, a família e conhecidos se surpreendem com seu comportamento. Uma das proezas mais recentes são os cálculos matemáticos. “Na semana passada, chegamos de um passeio e deitamos na cama. De repente, ele começou: ‘22+22 = 44, 21+21 = 42’. Ficamos muito surpresos com as contas. Às vezes, o Vinícius pede que ensinemos a somar no papel 767+512...”, disse Maria das Graças.
O Comércio da Franca esteve ontem na casa da família com a pedagoga Gislaine Cristina Silva, que aplicou alguns testes para avaliar o grau de conhecimento do garoto. É claro que apenas um acompanhamento por mais dias permitiria uma avaliação ampla e precisa do comportamento do garoto, mas as respostas surpreenderam Gislaine. “Apliquei testes para faixa etária de 7 anos e ele respondeu muito bem. Com certeza, é uma criança diferente, que precisa de acompanhamento especializado”. A profissional pediu para ele ler a frase “Meu ursinho é marrom” e depois desenhar. De uma caixa de 12 lápis coloridos nas mãos, Vinícius escolheu o marrom e fez os traços do urso, além de completar a seqüência de numerais e escrever frases ditadas por ela. “Ele acertou tudo”.
A criança também adora caça-palavras. A reportagem o acompanhou nesta tarefa. Em cinco minutos, circulou as palavras “homenagens”, “carreira”, “Carlos” e “Pixinguinha”. “Pai, achei uma dificílima”, disse assim que encontrou “mangueira” escrita de trás para frente.
DEFICIÊNCIAS E POTENCIAIS
Assim como as dificuldades de alfabetização da criança são um problema para qualquer família e escola, inteligência acima da média também gera situações com as quais nem sempre os pais e professores estão preparados para lidar. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, não existem no Brasil instituições especializadas em atender portadores de altas habilidades. A Associação Brasileira de Superdotados em São Paulo é um espaço destinado a estudos e pesquisas, não ao ensino. Os pais de Vinícius têm enfrentado de perto esse dilema. “Percebemos que ele está acima da média e não queremos que ele perca esse estímulo, mas não encontramos um local adequado para matriculá-lo”, disse o pai Élcio Araújo.
A eles, resta consultar as escolas da cidade e viver na esperança de encontrar uma adequada para lidar com suas aptidões. “Gostaríamos de conseguir bolsa integral numa escola particular com pessoas preparadas para ensinar meu filho, com alguém que nos passe confiança e o auxilie a melhorar e desenvolver as habilidades”, disse ele. A maior preocupação é equilibrar os lados intelectual e emocional. “Ele é um menino ainda. Não quero que perca a infância”, disse a mãe.
O diagnóstico para saber se Vinícius é superdotado ainda não foi feito, mas a família tem intenção de levá-lo para fazer testes de QI (Quociente de Inteligência) em São Paulo. “Tudo leva a crer que ele é superdotado. Queremos um diagnóstico preciso, mas, por enquanto, não temos condições financeiras de viajar e fazer os exames”, disse a mãe. As únicas constatações sobre o comportamento do garoto foram realizadas por uma psicóloga e pedagoga, que o consideram com altas habilidades (leia mais nesta página).
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.