MLST se prepara para deixar fazenda


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NOVA MATA - Integrantes do MLST na Fazenda Nova Mata gritam e mostram facões com a chegada de policiais ao local: estratégia para evitar reintegração de posse
NOVA MATA - Integrantes do MLST na Fazenda Nova Mata gritam e mostram facões com a chegada de policiais ao local: estratégia para evitar reintegração de posse
Os líderes do acampamento do MLST (Movimento para Libertação dos Sem-Terra) na Fazenda Nova Mata se reunirão hoje com o advogado do Grupo Samello, proprietário da área, para definir quando e como será a saída das mais de 300 pessoas que montaram barracos no local. Na tarde de ontem, o oficial de Justiça Carlos Augusto Bertolino oficializou a reintegração de posse e informou aos sem-terra que eles devem sair da fazenda o quanto antes. Logo nas primeiras horas do dia, a coordenação do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) se reuniu com os acampados para traçar uma estratégia caso o mandado de reintegração de posse, expedido na segunda-feira, tivesse que ser cumprido imediatamente. Apesar da aparente tranqüilidade dos militantes, o clima ficou tenso pelo menos duas vezes no decorrer do dia de ontem, levando os sem-terra a se “armarem” de foices, enxadas, facões e enxadões. A ordem era resistir e permanecer na área o maior tempo possível. O clima começou a esquentar no fim da manhã com a chegada da Polícia Militar, que esteve no local para analisar a situação. Os sem-terra gritavam sem parar frases como “Reforma agrária já” e o grupo só se dispersou após a saída dos policiais que conversaram com os líderes do movimento. O momento mais esperado aconteceu por volta das 14h30, quando o oficial de Justiça, Carlos Augusto Bertolino, acompanhado do advogado do Grupo Samello, Reginaldo Estephanelli, esteve na fazenda para entregar o ofício de reintegração de posse concedida aos proprietários na tarde de segunda-feira, pelo juiz Rogério Bellentani Zavarize. Os militantes voltaram a se reunir em frente à porteira, convocados pelos foguetes que foram soltos com a chegada do oficial. Todos ficaram em silêncio para ouvir Bertolino ler o ofício que foi entregue aos coordenadores Vilmar da Silva e Jean Gomes. De acordo com a ordem judicial, a saída teria que ser imediata. Na tentativa de encontrar a melhor maneira de cumprir a ordem judicial e evitar um confronto direto com os sem-terra, optou-se pelo diálogo. Uma conversa entre os acampados e o advogado do grupo Samello foi agendada para as 9 horas de hoje e deve ocorrer na Prefeitura de Cristais Paulista. “Não podemos sair assim de uma hora para outra. Queremos um prazo”, disse Vilmar para o advogado, que respondeu: “Não podemos esperar. Vocês entraram de uma hora para outra”. A fazenda, de 560 alqueires, foi invadida na madrugada de sábado pelos sem-terra, que sabiam que a área é produtiva com plantações de café, eucalipto e criação de gado.

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