Justiça concede reintegração de posse ao Grupo Samello


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Os sem-terra passaram o dia de ontem montando as barracas no gramado em frente da sede da Fazenda Nova Mata, invadida na madrugada de sábado. Hoje eles devem ser notificados para deixar a área e desafiam: vamos resistir à aç&at
Os sem-terra passaram o dia de ontem montando as barracas no gramado em frente da sede da Fazenda Nova Mata, invadida na madrugada de sábado. Hoje eles devem ser notificados para deixar a área e desafiam: vamos resistir à aç&at
O juiz Rogério Bellentani Zavarize concedeu ontem a reintegração de posse da Fazenda Nova Mata, situada em Cristais Paulista, ao Grupo Samello. A liminar foi deferida menos de 72 horas após a invasão de mais de 200 integrantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) ao local. O pedido partiu do advogado do grupo, Reginaldo Luiz Estephanelli. Segundo o despacho do magistrado, a produtividade da área foi o fator fundamental para a decisão. No local há plantação de café, eucaliptos e criação de gado. Um oficial de Justiça deverá visitar a fazenda ainda hoje para entregar o pedido de reintegração e informar aos sem-terra que terão que deixar a propriedade. Vilmar da Silva, da coordenação do MLST, disse que o grupo resistirá. “Não deixaremos a fazenda mesmo mediante emprego da força policial”. No fim da tarde de ontem, os coordenadores fizeram uma assembléia com os militantes, orientando-os sobre como agir caso a polícia vá até o local após o fim do prazo para retirá-los. “Eles vão ter que arrumar uma estratégia muito boa para nos tirar daqui”, disse ele. Alheio à resistência do MLST, o advogado do Grupo Samello disse ainda que será feita uma vistoria na fazenda e os prejuízos, após calculados, serão encaminhados para os autores, que terão que arcar com os estragos. Estephanelli disse que a notícia da invasão da fazenda foi recebida com surpresa pelos donos já que a propriedade é produtiva. Mesmo indignados, optaram por não irem até o local e, em vez disso, tomaram as medidas judiciais cabíveis. “Diferente da imprensa, não sabíamos como seríamos recebidos lá. Por isso, não fomos até a fazenda”, disse o advogado, que confirmou as dificuldades financeiras enfrentadas pela Samello que, segundo o MLST, teriam motivado a ocupação da Nova Mata. “Mas isso não justifica a invasão da propriedade”, disse Estephanelli. A Fazenda Nova Mata foi ocupada na madrugada de sábado por mais de 200 pessoas de Franca, Cristais Paulista e Restinga. Na manhã de ontem, o número de militantes do MLST no acampamento havia quase triplicado. Ontem, pela manhã, mais de 500 pessoas se espalhavam pelo gramado em frente à sede da propriedade, ultrapassando 200 barracas. Só na manhã de ontem, mais 80 pessoas efetuaram o cadastro na fazenda. De acordo com a coordenação do acampamento, 80% do grupo é formado por ex-sapateiros, alguns deles ex-empregados na fábrica da Samello.

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