O vidraceiro Josimar Leandro Pereira Lima, 19, morava com os pais e dois irmãos em Ipuã (SP) e tinha um desejo: ser um peão de boiadeiro de fama internacional e participar da Festa de Barretos, uma das mais famosas provas do circuito mundial. Mas seu sonho foi interrompido na tarde de domingo, quando “Léo”, como era conhecido, morreu depois de ser pisoteado por um boi em uma fazenda de Ribeirão Corrente. A tragédia chocou Ipuã que amanheceu de luto ontem.
Carismático e querido na cidade onde morava, Josimar montava touros mecânicos desde os sete anos. Era a sua brincadeira predileta. Desde pequeno, os pais o repreendiam para que ele não enveredasse para a atividade tão perigosa. “Ele dizia que ficaria famoso e que tiraria toda a família das dificuldades financeiras. Morreu fazendo o que gostava”, disse, emocionado, Alberto Pereira Lima, 52, pai do peão de boiadeiro. “Eu acendia velas para Nossa Senhora Aparecida para que não acontecesse nada com ele todas as vezes que ele ia competir”, disse a mãe, Lúcia Helena Silva Lima, 47, arrependida por não ter pedido proteção divina no domingo já que o rapaz estava apenas treinando.
Nada adiantavam as advertências da família. A montaria sobre touros mecânicos passou para bois de verdade. E quanto mais a idade passava, mais vontade tinha de encarar os desafios. Seu sonho de montar em Barretos ainda estava distante, mas a cada dia conquistava mais espaço nos rodeios regionais. Recentemente, em Restinga, foi para as semifinais. Em Ipuã (SP) venceu uma prova diante da sua torcida e já estava inscrito para competir na próxima semana, em Sales Oliveira.
Para se preparar melhor, o vidraceiro foi até uma fazenda em Ribeirão Corrente. No domingo, almoçou com a família e saiu em seguida, acompanhado de amigos e de um dos primos, montou um dos bois mais perigosos que estavam na fazenda.
Por volta das 17h20 de domingo, Josimar ficou exatamente 4s89 montado no touro após o brete ter sido aberto. Ao cair na arena, foi pisoteado por um touro de aproximadamente 300 quilos. Os golpes atingiram a região do coração. Imediatamente foi socorrido pelos amigos e levado até a Santa Casa de Franca. Não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar ao hospital.
TRISTEZA
Marcado pela forte emoção, o enterro de “Léo” aconteceu ontem, por volta de 15 horas, no Cemitério Municipal de Ipuã (SP). Familiares, amigos e dezenas de peões de cidades da região deram o último adeus ao vidraceiro.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.