Quinto poder das sensações


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Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra “sensação” quer dizer: “Impressão causada num órgão receptor por um estímulo e que, por via aferente, é levada ao sistema nervoso central”. Parece que com propriedade técnica identificaram fisiologicamente uma das atividades vitais do ser humano e atribuíram a ela toda situação de “insegurança” hoje vivida nesta cidade - pólo calçadista dos mais importantes - cuja economia pujante, reflete em altos e bons impostos para a “casa do tesouro do Estado”. Povo valoroso e obstinado que luta dia-a-dia construindo suas famílias, patrimônio e assim contribuindo de maneira inestimável. A sociedade francana enxerga na posteridade a responsabilidade de prosseguir com o seu legado. Gente dotada de inteligência, ao contrário de alguns da capital do Estado que imaginam que aqui é terra de caipira e que se engabela fácil a população. Chegar com prudência numa terra que tem história é sinal de sabedoria e respeito à sua população: dois bons atributos mais do que necessários para até mesmo os mais veneráveis príncipes de um reino. Aprofundando agora sobre as ‘sensações’, seria bem mais fácil para todos se algumas coisas fossem assim, imaginem... Alguém tem a sensação de não mais precisar trabalhar e que não tem mais dívidas; sensação de estar sem fome; sensação que não está frio; sensação que o time do coração sempre é campeão; sensação que não está chovendo lá fora, mesmo ouvindo os trovões e o barulho ensurdecedor das águas. Tudo é relativo quando se vê desse prisma -psicologicamente está tudo maravilhosamente ‘bem’, até começarem a pipocar as conseqüências pelo estado induzido que as ‘sensações’ podem causar. Uma ‘sensação’ bem-vinda num período eleitoral seria a de total segurança proporcionada pelo aparelho estatal. O que, infelizmente, não ocorre gerando o jus ‘esperneandi’ e a malfadada argumentação de que tudo não passa de ‘sensação de insegurança’, o que obviamente seria oportuno caso fosse o oposto. Ouve-se muito falar de dados, estatísticas, relatórios e etc., toda essa tecnocracia é necessária para mapeamentos e elaboração de estratégias de combate ao crime. Porém, não se pode incorrer no risco de tratar vidas humanas como meros números (no papel) a mercê de decisões de gabinetes que possam prejudicar o trabalho de linha de frente de combativos e abnegados homens e mulheres que ostensivamente e preventivamente tem como estandarte ser os ‘guardiões’ de uma comunidade. Há de se considerar aqui os baixos salários que empurram a grande maioria dos nobres agentes do Estado (praças principalmente) a terem uma jornada dupla e exaustiva com os conhecidos ‘bicos’ para complementarem o seu orçamento doméstico. Na verdade, se fossem devidamente valorizados pelo Estado e razoavelmente remunerados, otimizaria-se mais ainda os bons serviços prestados, podendo-se passar mais tempo com seus familiares e terem uma vida socialmente condizente com seus anseios. A hierarquia e a disciplina são os esteios da Força Auxiliar, instituição esta gloriosa através dos tempos, merecedora de toda a credibilidade e respeito por parte dos cidadãos. No entanto, o tempo não espera, quase sempre não há uma segunda oportunidade para se implementar algo. O avanço assustador do crime está claro e patente, não é tempo de arrefecimentos e desagravos por parte da cabeça que comanda todo o corpo, nem tampouco subestimar a inteligência do povo francano - pois o Quinto Poder existe e não é apenas uma sensação, é real e não está mais às portas, já passou delas; está agora dentro de nossas vidas e cada vez mais forte, organizado e atuante. RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é servidor público, bacharel em teologia, 3º Sargento Cavalariano Comandante de VBC (viatura blindada de combate) da reserva do Exército Brasileiro e membro do Conselho de Leitores do Comércio da Franca.

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