Com suspense até o último segundo, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) deve sancionar hoje o projeto de lei que pretende acabar com o emprego de parentes na prefeitura e na Câmara Municipal. O prefeito não confirmou a informação, mas uma fonte ligada diretamente ao tucano garante que ele aceitará a determinação da Câmara.
Sidnei tem até o final desta tarde para oficializar a decisão. Ontem, nem na Divisão de Comunicação nem no Gabinete foi possível descobrir o que passava pela cabeça do prefeito. Funcionários de ambos os locais comprometeram-se a retornar ligações telefônicas com informações, mas não o fizeram até o fechamento desta edição. Ainda em meio ao mistério que durou três semanas, é pacífico que não há nenhuma tendência de veto. Fontes ligadas a Sidnei disseram que, na tarde de ontem, a CAL (Comissão de Assuntos Legislativos) da prefeitura estava redigindo o parecer de sanção expressa à nova lei.
No primeiro escalão do governo, já há quem esteja se despedindo do cargo. A secretária de Desenvolvimento Humano e Ação Social, Maria Inês Archetti, que, em caso de sanção, terá que deixar o cargo por ser mulher do vice-prefeito, Ary Balieiro, dava força à tese de que o prefeito aceitaria a determinação dos vereadores. “Gosto do que faço, mas a secretaria é um trabalho que independe de mim”, disse em entrevista concedida ainda no dia 28 de abril.
ADEUS, PARENTES
O secretário de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto, em uma das mais de 20 consultas realizadas pelo Comércio com vários membros da administração nos últimos dias, disse que o governo não tem idéia do desfalque que sofrerá com a aprovação.
Jerônimo também disse que pedirá que todos os comissionados atestem se possuem ou não parentes na prefeitura. “Não é possível sair perguntando ‘Quem é seu tio?, Quem é sua avó?’. Farei um documento em que cada comissionado ateste, sob as penas da lei, que não é parente de nenhum ocupante dos cargos abrangidos.”
Pela lei, parentes em até terceiro grau do prefeito, do vice-prefeito, de secretários, dirigentes de autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista e dos vereadores não podem ocupar cargos comissionados na administração municipal, a menos que seja concursado. Jerônimo calcula que cerca de 200 pessoas terão que atestar seu não-parentesco. O secretário acredita que isso levará cerca de 10 dias. Os parentes identificados terão que deixar seus cargos em até 60 dias. Além de Maria Inês Archetti, o chefe do Setor de Atendimento da Secretaria de Saúde, Coronel David Batista Neto, e o diretor técnico da Prohab, José Ricardo Balieiro, também terão que abandonar o governo. David é irmão da vereadora Graciela Ambrósio (PDT). José Ricardo é sobrinho de Ary Balieiro.
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