A crise financeira enfrentada pela Samello nos últimos anos foi o principal motivo que levou o MLST a ocupar a fazenda, que tem área de 560 alqueires e valeria, segundo os sem-terra, em torno de R$ 20 milhões. A ação era estudada pelo comando do movimento havia cinco anos. Todos os detalhes foram meticulosamente estudados. Até as visitas dos proprietários ao local, que ocorrem, em média, duas vezes na semana.
A princípio, a intenção do MLST ao invadir a Nova Mata seria estratégica. “Sabíamos que ocupar uma fazenda da Samello seria uma boa estratégia, pois repercutiria muito”, disse Jean Gomes, um dos líderes do grupo. E o objetivo foi alcançado. Ao longo da madrugada e início da manhã de sábado, um batalhão de jornalistas, fotógrafos e câmeras passaram pela Nova Mata.
Diante do “sucesso”, os planos mudaram. O coordenador do MLST, Vilmar da Silva, adiantou que procurará os diretores da Samello na segunda-feira para tentar intermediar uma aproximação da empresa com o Incra. “Vamos procurá-los, sim. Será um negócio bom para todos. Apuramos que a Samello tem dívidas junto ao governo federal. Se eles venderem a área poderão quitar essas e outras pendências”, disse Silva, que espera uma “boa receptividade” por parte da família Mello.
APARATO
Os sem-terra do MLST são organizados e nem cogitam o uso da força. Ainda portam os tradicionais foices e facões. Segundo eles, não para amedrontar quem quer que seja, mas para trabalhar. “Não queremos conflitos. Apenas um pedaço de chão para plantar e melhorar de vida”, disse Vilmar Silva.
Hoje, o MLST de Franca conta com escritório próprio, equipado com computador, internet e até um veículo Fiat Palio. Silva não é modesto ao falar das evoluções. “Gostamos de coisas boas e as merecemos. Preparamo-nos para dialogar com quem quer que seja, de fazendeiros a policiais e até mesmo políticos”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.