Alfredo Palermo
O curso da História reservou para o Brasil uma surpreendente quantidade de problemas que nosso povo vai ter de enfrentar com ânimo forte e espírito democrático, ciente de que a caminhada para o desenvolvimento nacional deverá superar dificuldades cada vez maiores para a posição de relevo que vai adquirindo no plano internacional. E é de esperar que essa fase de surpresas, de debates e de luta consiga vitoriar-se. Podemos dizer que cada bloco de problemas é uma “copa”.
De início, não há como afastar a expectativa de participação do Brasil na Copa Mundial de Futebol. Cinco campeonatos mundiais inflaram nosso coração de acaloradas esperanças de conseguir o “hexacampeonato” das disputas, que vão começar daqui a um mês. E estes são os votos dos milhões de brasileiros que vibram com o futebol.
Dentro dessa expectativa esportiva, surge, agora, um grave problema de política internacional, e que é, também, um grave problema econômico: a nacionalização das empresas estrangeiras na Bolívia, envolvendo a maior delas, a Petrobras, e sua produção de gás e de petróleo. Pelo crescimento da economia brasileira, a Bolívia encara o Brasil e outros quatro ou cinco países como imperialistas a serem contidos. A eleição de Evo Morales, operário e político populista, fazia pressupor a crise que até então se desenhava. E essa “copa”, teme-se, deverá ser mais difícil que a da Alemanha.
Internamente, o País enfrenta outros tipos de problemas. A cinco meses das eleições presidenciais, ferve o caldeirão partidário, quando o presidente Lula postula a sua reeleição e, após a crise do mensalão, dispara publicidade na mídia. As novidades criadas pelo TSE, na organização e realização do pleito de outubro, assustam os partidos, e até um notório pré-candidato a presidente - o inefável Garotinho - faz protesto original de luta com uma “greve de fome”. Vão, só aí, no mínimo, três copas...
E, afinal, há a “copa da economia”: o desenvolvimento industrial do País está em queda livre, a agroindústria acompanha, e o desemprego desafia as incertezas governamentais, com juros altos, tributação escorchante e despreparo oficial para as emergências, incapaz de enfrentar até a crise da soja, cujos exportadores fazem greve.
Apesar de todos esses problemas, os brasileiros confiam em suas esperanças históricas, em seu civismo e nos embates que a democracia enfrenta agora, como tem enfrentado no passado, graças às tradições de trabalho, de cultura e de grandeza nacional.
ALFREDO PALERMO é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 60 anos.
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