Depois de duas tentativas frustradas de fuga dos presos do Jardim Guanabara, a Polícia Civil decidiu ocupar o cadeião ontem à tarde. A resposta aos presos foi dada por meio de uma “faxina” geral que durou quatro horas. Todas as celas foram minuciosamente revistadas. Ao término da operação, foram apreendidos telefones celulares, armas brancas e drogas. Um ultimato foi dado aos presos: se voltarem a aprontar serão castigados.
A sexta-feira foi um dia de muito trabalho. Logo após chegarem da batida realizada durante a madrugada e parte da manhã, em Cristais Paulista, os policiais fizeram uma breve pausa para o almoço. Às 13h30, 80 agentes de Franca e cidades da região já estavam na cadeia. Portavam armas de grosso calibre e bombas de efeito moral. Nada foi necessário, pois a ocupação foi tranqüila.
A primeira providência foi retirar os presos das celas e colocá-los apenas de cuecas no pátio central do presídio. Divididos em equipes, os policiais revistaram todos os 28 xadrezes e os pertences dos detentos. A operação pente-fino acabou depois das 17 horas.
Ao longo da faxina, foram recolhidos 21 telefones celulares, 14 carregadores, seis chuchos (faca artesanal feita pelos presos), duas facas, meio quilo de maconha e cinco porções de cocaína. Os produtos foram apreendidos e levados para a sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais).
O diretor interino da cadeia, delegado Eduardo Lopes Bonfim, acredita que a operação de ontem deixará o clima mais tranqüilo no presídio. “Conversei com os detentos e também não houve excessos de nossa parte. Apesar das tentativas de fuga, decidi manter as visitas e a entrega de objetos pessoais durante o fim de semana”, disse. Mas, em que pese o tom ameno, avisou que não vai tolerar novos agitos. “Se voltarem a aprontar, cortarei todas as regalias. Se alguém tumultuar, haverá castigo para todos. Dependerá do comportamento deles: se acharem que podem enfrentar a polícia, estamos prontos para o enfrentamento. Agiremos com o máximo rigor”.
Para o carcereiro Hélio Aparecido Gomes, a operação policial será importante para aliviar o clima na cadeia. “A tensão é total e trabalhamos no limite. Acho que a situação vai melhorar um pouco após essa batida”.
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