A Polícia Civil de Franca descobriu uma central telefônica clandestina, que funcionava a serviço do crime no interior de uma casa, na área central de Cristais Paulista. O sistema era usado para possibilitar contatos e trocas de informações entre detentos recolhidos em penitenciárias de pelo menos três Estados.
A descoberta do “PABX pirata” aconteceu durante operação especial realizada ontem de madrugada na cidade. Policiais vistoriaram 25 imóveis em busca de drogas, armas e de pessoas procuradas pela Justiça. Ao revistar uma casa simples e de apenas quatro cômodos na Rua Professor Waldir Rodrigues Silveira, suspeita de ser ponto de tráfico, os investigadores se depararam com cinco aparelhos de telefone e com três contas com valores exorbitantes. Somadas, as faturas atingiam a quantia de R$ 10 mil. Uma única ligação durou mais de uma hora e custou R$ 140.
O uso excessivo do telefone, somado ao fato de os moradores da residência não trabalharem, levantou a suspeita dos policiais. “Uma residência normal não teria condições de gastar um valor destes. Após conversar com a moradora, apuramos que uma central telefônica ligada ao crime funcionava no local”, disse o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
Segundo informações levantadas pela polícia, Fátima Cristina Alves Silva, 33, funcionava como uma espécie de elo entre detentos recolhidos em cadeias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. “Os presos ligavam a cobrar para ela de diversas partes do País pedindo para transmitir recados para outros detentos. Após receber as orientações, a mulher telefonava para penitenciárias indicadas e as repassava”, explicou o investigador Isaías. A aparelhagem foi apreendida e será periciada. A princípio, o sistema não possibilitaria a teleconferência entre presos.
Para instalar a linha telefônica em casa e não pagar as contas, a “telefonista do crime” usou documentos que haviam sido furtados de uma moradora de Franca. A central estava em funcionamento desde setembro do ano passado.
Os contatos telefônicos não eram a única ligação de Fátima com o mundo do crime. Um antigo namorado está preso no interior do Estado. Na sua casa, também foram apreendidas dezenas de correspondências enviadas por detentos, além de fotos tiradas de bandidos no interior de cadeias. Perguntada sobre o seu envolvimento, ela preferiu o silêncio. “Não tenho nada a declarar”.
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