MLST invade fazenda da Samello em Cristais


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Era quase 1 hora da manhã quando mais de 200 pessoas do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) ocuparam a Fazenda Nova Mata, sede agropecuária do grupo Samello, localizada no município de Cristais Paulista. A invasão foi pacífica e os militantes não encontraram resistência ao ocupar a propriedade de aproximadamente 560 alqueires. Nenhum caseiro ou proprietário da área apareceu enquanto a reportagem do Comércio permaneceu no local, até às 2h30. Atrapalhar mesmo, só o frio. Antes da invasão, o grupo ficou concentrado cerca de três horas no Clube dos Sapateiros em Franca à espera de definições da liderança. O local a ser invadido permaneceu em segredo até minutos antes dos sem-terra chegarem a porteira da fazenda. Comandados pelos mesmos militantes que promoveram outra ocupação em Cristais, na Fazenda Santana, em fevereiro, as famílias saíram de Franca, Cristais e Restinga. Com o grito de guerra “ocupar, resistir e produzir”, os líderes do movimento incentivavam os militantes que, na maioria, não tinham experiência em invasão e foram orientadas apenas em duas ou três reuniões realizadas nas últimas semanas. Os próprios líderes admitem que a fazenda será usada apenas como ponto estratégico para novas invasões na região. “A ocupação dessa propriedade vai gerar muita repercussão”, disse Jean Gomes, o coordenador do grupo, minutos antes de sair do Clube dos Sapateiros, sem receio de revelar seu verdadeiro objetivo. O transporte foi feito em carros próprios e apenas um ônibus e um caminhão foram usados como apoio para carregar o material para o acampamento, como colchões, cobertores, alimentos. Desde a concentração realizada no clube, apenas a liderança sabia qual fazenda seria invadida. Mesmo seguindo em comboio, 13 veículos se perderam e só chegaram ao local quase uma hora depois. Vilmar Silva, líder regional do MLST, disse que o grupo planejava a ocupação há mais de cinco anos, desde que ocuparam a Fazenda Boa Sorte, em Restinga. “Temos informações que os proprietários estão em crise e esse era o momento de ocupá-la”, disse. As famílias não encontraram nenhuma dificuldade para invadir a fazenda. A área, tomada por eucaliptos e vastos gramados bem cuidados, estava toda iluminada. Mesmo assim, o grupo fez uma fogueira pouco tempo depois de invadir o local para afugentar o frio. Os militantes foram orientados a montar as barracas no gramado em frente a sede da propriedade, o que só deve acontecer na manhã de hoje. Aproveitando o calor da fogueira, estava a dona de casa Edna Maria Apolinário, 48, que morava no City Petrópolis em uma casa alugada e deixou tudo para acompanhar o movimento. “No começo eu estava bastante apreensiva, mas foi tranqüilo, até mais do que eu imaginava”, disse ela. José Wilson Arquemon, 46, sapateiro desempregado, também não pensou duas vezes em se inscrever para o movimento. “Deixei a família em casa por que achei que ia ser difícil, mas foi muito fácil. Se aqui der certo trago eles para cá”.

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