‘O Bom Pastor’


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O quarto domingo da Páscoa é conhecido como “O Domingo do Bom Pastor”. A figura do pastor aparece com freqüência nos livros do Antigo Testamento. Os que mais se sobressaem são: Abel, Moisés e Davi. O próprio Deus é comparado a um pastor que guia, defende e alimenta o seu povo. Carrega os cordeiros nas dobras do seu manto e conduz lentamente as ovelhas que amamentam. (Is 40,11). Os evangelhos retomam a figura do Pastor e a usam para revelar as pessoa e a missão de Jesus. A imagem que sempre temos do pastor é aquele que vai em busca da ovelha desgarrada. Mas também o pastor não é somente aquele que acaricia suavemente a pequena ovelha ferida, mas é o lutador que, ao preço da própria vida, enfrenta todos os que colocam em perigo o seu rebanho. Jesus é o verdadeiro, autêntico, corajoso pastor que tem amor intenso por cada um de nós, suas ovelhas, estando disposto a sacrificar a própria vida. Tal atitude ocorre junto à cruz quando morreu para nos salvar. Jesus, vindo ao mundo apresentou-se como o Pastor prometido por Deus com todas as suas características. Ele conhece e ama as suas ovelhas: chama-as pelo nome; para Ele, elas não são um número, mas pessoas amigas. Ele as apascenta, defende-as, dá-lhes a vida; procura a perdida e a traz em festa de volta junto ás outras e reúne as dispersas. Ele é um Pastor a serviço do rebanho, até ao dar a sua vida. Aos cuidados desse pastor, ser ovelha não é humilhante, é salvação. Nós, cristãos, não podemos ter vergonha de nos sentirmos chamados e de aceitarmos ser “as ovelhas de Seu rebanho”. Por outro lado, não gostamos do papel de “ovelha”. Todavia, está comprovado que nesse papel nos encontramos constantemente mergulhados, sem percebermos. Existem situações que nos manipulam. Comemos, bebemos e vestimos aquilo que vem de uma “propaganda” forte. A manipulação existe quando, por sermos modernos, seguimos regras que parecem produzir liberdade, mas que não produzem. Somos pisoteados e massacrados, vivemos em “bando”, que se agita, que se pisoteia, em horas prefixadas, nos carros do transporte coletivo, nas filas para isso, para aquilo, nos alimentamos de coisas manipuladas por outros. Cristo nos propõe fazermos com Ele uma experiência de libertação. Cristo, longe de mortificar nossa personalidade, ajuda-a a crescer, a formar-se; Ele nos “personaliza” com o Seu conhecimento e com o Seu amor; faz nascer de nós a criatura nova, consciente e forte, aquela que o mundo não pode manipular porque não está mais sob suas garras: “Aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Jesus nos dá um sinal de identificação para vermos se somos ou não do seu rebanho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, Eu as conheço e elas me seguem”. (Jo 10). A Eucaristia é o real encontro com o Bom Pastor. Que da nossa mente se proclame sempre o desejo do Sl 78: “Nós somos o teu povo, Senhor, o rebanho das tuas pastagens”. PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.

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