Novo sistema triplica filas em lotéricas


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O sistema operacional recém-implantado pela CEF (Caixa Econômica Federal) tem trazido problemas a clientes e empresários das casas lotéricas. As máquinas que registram jogos e pagamento de contas demoram o dobro do tempo que as antigas levavam para realizar as operações, o que tem ocasionado longas filas e queda no faturamento dos proprietários. Na tarde de ontem, a reportagem visitou quatro lotéricas e, em todas elas, o tempo de espera para atendimento era superior a 30 minutos. Em uma delas, no Centro, o aposentado Jorge Luiz de Bessa, 74, estava na fila havia 20 minutos e as três funcionárias ainda atenderiam 19 pessoas antes dele. “Mesmo a gente sendo idoso, tem que esperar. Ninguém nos dá chance de passar na frente nas lotéricas. Nem em bancos ficamos tanto tempo em filas”, disse Bessa. A Caixa substituiu todo o sistema GTech de processamento de jogos e pagamentos com o objetivo de atender determinação dos órgãos reguladores para que as loterias não ficassem sob o domínio de um único fornecedor externo e contratou quatro fornecedores para atendimento a serviços específicos. Outro objetivo era ampliar a capacidade e agilizar o processamento. Por enquanto, não surtiu efeito. Esmeraldo Machado, 63, também aposentado, disse que o aumento no tempo de espera das filas é gritante. “No mês passado, nessa mesma época, a fila tinha três, quatro pessoas na minha frente. Hoje, olha aí que tristeza, tem uns 15”. Na verdade, eram 17. A reclamação dos idosos tem dupla razão. Nas lotéricas visitadas, não havia caixa especial para atendimento de idosos. Segundo os proprietários, esse seria outro problema acarretado pelo novo sistema. “Fico com pena dos idosos. Nunca precisamos ter caixa especial para eles, pois o atendimento era rápido. Agora, estamos oferecendo um atendimento desse nível a eles”, disse um deles, que preferiu não se identificar. Oferecer o caixa especial, porém, não é facultativo. O Estatuto do Idoso determina obrigatoriedade de atendimento diferenciado em repartições públicas, bancos, financeiras e afins.

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