Até parecia obra do metrô. A falta de equipamentos apropriados não foi empecilho. No lugar de máquinas, colheres, tampas de marmita e facas artesanais foram usadas para escavar a terra. O túnel já estava quase pronto. A fuga em massa se daria em questão de horas. O olhar atento de um policial evitou tudo e frustrou o ousado plano dos mais de 50 presos da cadeia do Jardim Guanabara que pretendiam escapar na noite de ontem. Foi por pouco.
Faltavam alguns minutos para as 14 horas quando o carcereiro Marcelo foi até a cela número 13 buscar um detento para levá-lo ao Fórum. Para sua surpresa, havia apenas um preso no xadrez, onde deveriam estar 20. Preocupado, chamou os demais carcereiros de plantão e comunicou o fato aos policiais militares que fazem a ronda externa da cadeia. Após uma breve ronda no pátio, ouviram um barulho estranho e uma água barrenta jorrando no local. Não tiveram dúvidas: os presos estavam cavando um túnel.
Imediatamente foi chamado reforço policial e, em poucos minutos, o GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil chegou à cadeia. Bombas de efeito moral foram disparadas, obrigando os presos a saírem do buraco e voltarem para as celas. Eles estavam todos sujos, com barro dos pés à cabeça. “O túnel estava quase pronto. Tinha cerca de um metro e meio de profundidade e mais de dois metros de extensão. Se não fosse a rápida ação dos policiais, uma fuga em massa poderia ocorrer durante a tarde ou a noite de hoje (ontem)”, disse o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
Os presos também já haviam aberto um buraco na parede, interligando as celas 12 e 13 para que todos os detentos (cerca de 50) nelas recolhidos pudessem ter acesso ao túnel. A intenção dos criminosos era chegar ao muro dos fundos da cadeia e escapar pela Rua Abrão Jorge. “São presos perigosos, os quais cumprem penas por roubo, homicídio e latrocínio. Se conseguissem fugir, apresentariam um grande perigo à sociedade”, finalizou o delegado.
No interior das celas, os policiais encontraram várias escritas nas paredes com mensagens alusivas ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
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