Candidaturas de pára-quedistas e forasteiros podem deixar Franca sem deputados de novo

O cenário político das eleições para deputado em 2006 começa a se definir e um enredo com final conhecido em Franca dá mostras de que pode se repetir. Nas &ua

05/05/2006 | Tempo de leitura: 5 min

O cenário político das eleições para deputado em 2006 começa a se definir e um enredo com final conhecido em Franca dá mostras de que pode se repetir. Nas eleições de 1998, foram lançados quatro candidatos a deputado estadual e três a federal. Naquele ano, apenas Roberto Engler (PSDB) alcançou uma vaga na Assembléia Legislativa de São Paulo. Ninguém conseguiu chegar a Brasília. Em 2002, o número de concorrentes foi ainda maior: seis a estadual e cinco a federal. De novo, apenas um parlamentar estadual foi eleito: Gilson de Souza (PFL), na época pelo PPB (atual PP) e nenhum para a Câmara Federal. Em 2006, se todos os pré-candidatos anunciados até agora forem confirmados pelos partidos, mais uma vez Franca corre o risco de eleger menos candidatos do que poderia. Não são remotas as chances de ficar sem nenhum representante. Uma breve análise do resultado das últimas duas eleições deixa claro dois fatores preponderantes para a falta de sucesso dos candidatos da cidade. O primeiro é o número exagerado de candidatos que disputam os votos dos francanos. O segundo é responsabilidade dos próprios eleitores que, em muitos casos, votam em candidatos que não têm vínculo com Franca em detrimento dos representantes regionais. A matemática é simples. Um candidato a deputado estadual filiado a um grande partido precisaria de, no mínimo, 60 mil votos para ser eleito. Para federal, a conta é ainda mais cruel. Com menos de 100 mil votos é praticamente impossível conquistar uma cadeira na Câmara em Brasília. Fleury Filho, por exemplo, pertencente a um partido de médio porte, o PTB, que elegeu quatro deputados federais em 2002, precisou de mais de 82 mil votos para chegar lá e ainda foi o último a conquistar uma vaga pelo partido. Há casos de exceção, como o de Vanderlei Assis, do Prona, que foi eleito com o apoio de apenas 275 eleitores, mas foi impulsionado por Enéas, que recebeu mais de 1,5 milhões de votos. O fenômeno, raro, não deve se repetir este ano. PROBLEMAS LOCAIS Candidaturas locais sem a mínima chance de sucesso atrapalham a eleição de reais concorrentes às vagas. Há quatro anos, uma candidatura que aterrissou de pára-quedas nas eleições para deputado estadual foi a do empresário Wagner Maura (PFL). Ele contabilizou 2.047 votos em Franca e 2.336 no total. Precisaria de 30 vezes mais eleitores para ocupar uma cadeira na Assembléia Estadual. Exemplos como o do empresário não faltam. A lista é extensa e nela constam nomes como o de Marco Garcia (PDT), com 7.908 votos, e Airton Sandoval (PMDB), com 3.934 em Franca. A inexpressiva votação desses pára-quedistas faria muita diferença para outros candidatos. Dez por cento dos dois mil votos de Wagner Maura, por exemplo, elegeriam Roberto Engler (PSDB) em 2002. Engler ficou a 124 votos do último eleito por seu partido e só assumiu uma cadeira no parlamento estadual porque outro tucano, Duarte Nogueira Júnior, assumiu a Secretaria de Agricultura durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), reeleito governador na mesma disputa. ESTRANGEIROS Em 1998, a invasão de “estrangeiros” também foi uma vilã nas eleições. Téo Maia (PSB) ficou a 1.928 votos de se eleger deputado federal por Franca. Enquanto isso, o quarto colocado entre os eleitores francanos, o forasteiro ribeirãopretano Valdemar Corauci Sobrinho (PFL), obteve 5.218 votos. Um levantamento informal da reportagem não conseguiu encontrar nenhuma ação de Corauci como deputado em favor de Franca durante esses oito anos. Em 2002, a invasão se repetiu. O folclórico e ultra-nacionalista Enéas Carneiro (Prona), candidato a deputado federal, sem pisar em nenhum palanque na cidade, levou 3.250 votos de Franca. Até mesmo José Dirceu (PT) conquistou seu mandato, agora cassado, com o apoio de exatos 400 francanos. O eleitorado da cidade não tem pudores na hora de direcionar o voto para “estrangeiros”. Trinta e quatro candidatos de fora receberam cada um mais de 100 votos na cidade, totalizando 17.110. Mais da metade dos eleitores de Marco Aurélio Ubiali (PSB), o segundo mais bem votado para a Câmara Federal em Franca. No total, foram mais de 930 nomes, entre os candidatos a deputado estadual e federal, sem nenhum vínculo com a cidade e que receberam, no mínimo, uma menção nas urnas francanas. CUIDADO Sem uma estratégia entre os candidatos e maior conscientização dos eleitores, Franca corre o risco de, mais uma vez, ficar órfã de representantes em Brasília e ter que contar com a boa vontade dos políticos de Ribeirão Preto e até de São Sebastião do Paraíso e Passos (MG), que, mesmo com uma densidade populacional bem inferior, conseguiram emplacar deputados. A princípio, com uma lista de pré-candidatos que não pára de crescer, é exatamente isso que deve acontecer. Até agora, mais de 10 políticos da cidade são cotados para a disputa. Só para deputado estadual, Gilson de Souza (PFL), Roberto Engler (PSDB), Marcelo Caleiro (PMDB), Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), Cassiano Pimentel (PT), Paulo Afonso Ribeiro (PT) e André Jorge (PPS). Para federal, Gilmar Dominici (PT), Marco Aurélio Ubiali (PSB), Clarindo Ferraccioli, o Belão (PSC), Ary Balieiro (PTB), José Chiachiri Filho (PV)... O ex-prefeito e candidato a deputado federal pelo PT, Gilmar Dominici, acredita que a invasão de políticos que não têm vínculos com a cidade é um problema, mas acha que a proliferação de candidatos é a principal preocupação para 2006. “O voto a forasteiros realmente ocorre, mas tem diminuído. Atualmente o que mais pode prejudicar é o candidato da própria cidade, que lança seu nome sem chances de se eleger, mas obtém uma votação significativa e atrapalha outros candidatos com possibilidades reais na eleição”, disse. O médico Marco Aurélio Ubiali (PSB), candidato a deputado federal em 2002 e pré-candidato a concorrer com Dominici em 2006, concorda. “Quem não tem chance de se eleger, mas, mesmo assim, sai candidato, traz prejuízo para a cidade, porque colabora para dispersar os votos”. Para Ubiali, é necessário trabalhar para não permitir a pulverização dos eleitores. “Todos, políticos e população, têm que ter cuidado em fazer com que haja uma concentração de votos em quem tenha real potencial”.

Fale com o GCN/Sampi! Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Receba as notícias mais relevantes de Franca e região direto no seu WhatsApp
Participe da Comunidade

COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal SAMPI e se comprometem a respeitar o código de Conduta On-line do SAMPI.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.