Jean e Adriano são pessoas pobres e moram no Jardim Aeroporto III. São jovens, sem profissão, casados e, cada um tem um filho com menos de dois anos de idade. As mulheres de ambos estão grávidas. Jean já esteve preso na Febem acusado de assassinato. Adriano estava com uma moto furtada em sua casa ontem. Além do latrocínio, também responderá por receptação.
Ambos conheciam Serjão do bairro em que moram. Foi lá que teriam recebido a dica de que o comerciante Valdir movimentava expressiva quantia de dinheiro em seu varejão. Combinaram o assalto e anotaram o endereço e telefone do suposto mentor. No dia do crime, os três voltaram a se encontrar para acertar os detalhes finais.
Por volta de 20h20 entraram em ação. “O varejão estava fechado. Entramos por um portão ao lado. Fui para o estabelecimento e rendi o comerciante. Ele estava fechando o caixa. O Jean foi para a residência e dominou a mulher e o garoto”, disse Adriano.
O menino e a mulher foram amarrados por Jean com tiras de uma toalha de banho pertencente às vítimas e obrigados a se deitarem no chão virados para baixo. Ao entrar na casa sob a mira de um revólver, Valdir avistou os familiares amarrados e pediu para que os ladrões não fizessem nada com eles. Disse que entregaria todo o dinheiro.
Ao ser levado para o quarto, o comerciante entrou em luta corporal com os assaltantes. Valdir levou mordidas no braço e nas costas. “Ele investiu em mim, deu um soco no meu peito e bateu a mão na arma. Neste momento, a arma disparou, mas o tiro acertou o guarda-roupas. Ele segurou o revólver e daí o outro (Jean) veio. Ficou um confronto entre os três. O Jean dominou a arma e eu saí do quarto. Foi ele (Jean) quem deu o outro disparo”, contou Adriano.
Entrevistado pelo Comércio, Jean admitiu participação no roubo, mas negou que tenha atirado em Valdir. “Eu só tentei tampar a boca do comerciante para ele não gritar. De repente, a mulher dele conseguiu se desamarrar e eu fui segurá-la. Foi quando escutei o tiro”.
Após matar Valdir, os assaltantes saíram correndo da residência e levaram cerca de R$ 6 mil. Disseram que voltaram a pé para o Aeroporto, mas a polícia acredita que tenham usado um táxi. O dinheiro teria sido repartido entre os três. “Deram o cano neles mesmos. Alguém ficou com uma parte maior, pois dizem que levaram só R$ 1,9 mil”, contou o delegado Wanir.
Acusado de ter “dado a fita” para os dois ladrões, Serjão negou participação no crime. “Eu nada tenho a ver com isso. Nem conheço os meninos. O Valdir, eu conhecia. Minha mãe era freguesa dele.
De vez em quando, eu ia lá comprar verduras. No dia do crime estava em casa com minha esposa. Tô fora dessa fita”. Ele já esteve preso anteriormente, acusado de furto e tráfico. “Não resta a menor dúvida de que os três participaram do crime. Temos provas disto. Todos serão indiciados por latrocínio, pois, quando escalou a fita, o Serjão assumiu o risco de ocorrer uma morte.
Ele sabia que o Jean e o Adriano usariam uma arma de fogo”, explicou Wanir.
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