Um ‘anjo da guarda’ na cidade


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Ana Paula Cirilo, Marina Ribeiro Avelar, Ana Luiza Ribeiro (no sofá, da esq. p/ dir.), Alessandro Silva, a criança Alessandra Gabrielly e Antônio Avelar se reúnem para comemorar nova amizade: eles se conheceram depois que o casa
Ana Paula Cirilo, Marina Ribeiro Avelar, Ana Luiza Ribeiro (no sofá, da esq. p/ dir.), Alessandro Silva, a criança Alessandra Gabrielly e Antônio Avelar se reúnem para comemorar nova amizade: eles se conheceram depois que o casa
A insegurança e medo da violência que assolam as cidades não foram empecilhos para o professor de educação física Antônio Andrade Avelar, 51, abrir as portas de sua casa e acolher uma família desconhecida. Alessandro Carvalho Silva, 28, sua mulher Ana Paula Cirilo, 23, e a filha Alessandra Gabrielly, de seis meses, são de Curitiba (PR). Há aproximadamente um ano, ele trabalha para uma empresa de calçados naquela cidade e foi transferido para a unidade da firma que está sendo instalada em Franca. O casal aceitou a proposta com medo de que o chefe da família perdesse o emprego. Venderam os poucos móveis que tinham e com apenas as roupas na bagagem tomaram o ônibus para Franca. “Sempre trabalhei na área de calçados e como esse ramo é forte na economia de Franca, resolvi aceitar a proposta e vir com a cara e a coragem”, diz Alessandro, que é formado em Administração de Empresas. Depois de mais de 700 quilômetros (durante oito horas) de estrada, desembarcaram na rodoviária no dia 21 de abril. Os problemas começaram com o transporte do terminal para a pensão reservada no Centro da cidade. Alessandro disse que o taxista gastou 40 minutos no trajeto (leva em média dez minutos) e cobrou R$ 47 pela corrida (costuma ficar em R$ 10). “Acho que era um falsário, mas a gente chega sem conhecer nada e quando percebe já é tarde”, disse Alessandro. Na pensão, novo susto: o lugar estava escuro, malcuidado e os dois decidiram procurar outro local para dormir com a filha. Sem conhecer a cidade, circularam perdidos pelo Centro até serem avistados por um grupo de amigos que tomava café num estabelecimento perto da igreja matriz. Estava frio naquela noite, a turma se comoveu ao ver os dois com o bebê na rua e resolveu ajudá-los. “A criança riu para mim. Não poderia deixar a família no sereno, ao relento. Levei os três para minha casa”, disse o professor Antônio Avelar. A mulher dele, a dona de casa Ana Luiza de Paiva, e uma das filhas estavam em São Paulo e ficaram sabendo “dos hóspedes” pelo telefone. “Aproveitei o feriado para visitar minha filha que estuda lá. Quando ele avisou que estava com um casal em casa, fiquei brava e preocupada, mas não tinha o que fazer”, disse Ana Luiza, que só conheceu a família paranaense na segunda-feira, 24. RECEPÇÃO Alessandro, Ana Paula e Alessandra tomaram banho, fizeram as refeições e dormiram na casa de Antônio durante três dias. Depois ganharam de outra pessoa duas estadas num hotel da cidade e conseguiram alugar uma casa de três cômodos no Jardim Ângela Rosa. Mais uma vez, o apoio do “anjo da guarda” - como o casal chama o professor - foi essencial. Ele contratou Ana Paula para ajudar na limpeza da casa. “Estou muito agradecido pela ajuda que me prestaram, numa hora em que estava perdido com minha mulher e filhinha. Não tinha dinheiro, nem cartão, nem telefone e não conhecia a cidade. Agora vamos batalhar para formar a vida aqui”, disse Alessandro, que encontrou no jornal Comércio da Franca a melhor maneira de retribuir a ajuda. “Queria fazer uma matéria para contar o que aconteceu comigo”. Agora, eles continuarão em Franca e se esforçam para conseguir móveis e utensílios porque chegaram à cidade apenas com roupas. “A empresa de Curitiba está começando a funcionar, mas prefiro outro emprego, algo mais garantido.”

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