O fim das lojas 24 horas


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O atendente da Droga Farma, José Sofa FIlho, atende o cliente Vilson Donizete Pereira por uma janela de vidro na unidade: segurança é essencial para funcionamento durante a madrugada
O atendente da Droga Farma, José Sofa FIlho, atende o cliente Vilson Donizete Pereira por uma janela de vidro na unidade: segurança é essencial para funcionamento durante a madrugada
Os boêmios de Franca e os consumidores de última hora perderam na segunda-feira mais um ponto de compras durante a madrugada. O supermercado Gimenes da Avenida Integração, que abria 24 horas, alterou seu horário de funcionamento e desde o dia 1º de maio atende das 7 horas à meia-noite. Com a mudança, a cidade ficou órfã no setor, pois essa unidade era a única da categoria a operar ininterruptamente na cidade. No supermercado CompreBem, do grupo Pão de Açúcar, que também mantinha atendimento 24 horas, a alteração ocorreu há um mês. A falta de clientes nas altas horas da matina foi apontada como a principal responsável pela redução no funcionamento das redes e levantou novamente a discussão sobre o perfil do público francano. Como a maioria dos trabalhadores de Franca é formada por sapateiros, categoria que levanta cedo (por volta das 5 horas) para ir à fabrica, não é hábito na cidade famílias fazerem compras de madrugada. Investimentos em segurança e a manutenção da grande estrutura dos hipermercados também pesaram na decisão. “Durante muito tempo a experiência foi positiva, pois era novidade, agora não compensava ficar aberto”, disse o gerente do CompreBem, Marcos Gimenes (veja matéria nesta página). Com um público formado essencialmente por jovens, as lojas de conveniência, ainda que estejam sempre lotadas na madrugada, também enfrentam dificuldades para se manterem abertas. Segundo a sócia-proprietária do Food Shop Galo Branco, Solange Bombicino, a adaptação foi demorada e ainda hoje, o local, que recebe, em média, 800 pessoas na madrugada de quinta a domingo, tem o turno da noite como o menos rentável. No City Posto, a mesma dificuldade. Foram necessários cerca de quatros anos para que o público acostumasse com o serviço. Embora em um ramo diferente, Fabrício Pedroza, farmacêutico responsável da rede DrogaFarma, acredita que existe público na madrugada, mas primeiro é necessário conquistá-lo. A loja sede da rede, na Rua Francisco Marques, na Vila Nova, trabalha sem interrupção há 24 anos e é a única, entre as 18 filiais instaladas na cidade, a oferecer o serviço ao lado da filial na Rua Voluntários da Franca, no Centro. “Algumas até tentaram funcionar 24 horas, mas acabaram desistindo”, disse. É o caso da rede Droga Raia, que atualmente não possui mais lojas localizadas nos centros comerciais de cidades do interior de São Paulo funcionando com plantão noturno ou abertas durante 24 horas. Em Franca a loja foi uma das primeiras a operar durante a madrugada, mas, segundo a assessoria, deixou de operar no sistema há cerca de três anos devido à baixa freqüência de clientes à noite e pelo fato de não ter estacionamento. “Não havia como oferecer a segurança necessária aos clientes”, disse Fabiano Oliveira, assessor de imprensa. Sem considerar borracheiros, taxistas, mototaxistas e o setor de saúde, Franca carece de redes 24 horas. Na cidade não há floriculturas, locadoras, açougues e nem mesmo lanchonetes abertas dia e noite.

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