A falta de funcionários para limpeza no terminal rodoviário de Franca está criando situações inusitadas, mas não tão incomuns. Na semana passada, empregados de uma empresa de transporte, incomodados com a sujeira, pegaram baldes, panos de chão, vassouras e rodos e limparam eles mesmos o local. A iniciativa é apenas mais uma das tarefas que eles cumprem na ausência de prestação de serviços pelo poder público.
“Nós temos que fazer de tudo aqui. Atendemos ligações da cidade e da região perguntando horários de ônibus, mesmo de outras empresas; temos que afastar pedintes do local, separar brigas e mais um monte de coisas que não são atribuições nossas”, disse a atendente Adriana Bertoni. “Estamos abandonados; não dá vontade de vir trabalhar”, afirmou outro funcionário.
A revolta não é para menos e não acomete apenas aqueles que estão no contato direto com o público. Gerentes das empresas também se mostraram indignados com o descaso.
José Carlos Priola, 46, responsável pela viação São Bento, é um deles. Junto à Cometa e Presidente, sua empresa é uma das que mais vendem passagens e embarcam passageiros. Apenas as três recolhem, semanalmente, perto de R$ 8 mil em taxas à Emdef, sem contar o aluguel mensal, que chega a R$ 520. No caso específico da empresa de Priola, o valor é de R$ 370.
Apesar disso, não dispõem de banheiros e local para refeições. Assim como as outras 16 empresas, a São Bento não possui alvará de funcionamento e também não consegue obter o documento junto ao Corpo de Bombeiros de Franca. Através de ofício, datado de 2004, foram informados pela corporação que o dever de providenciar a certidão era da prefeitura e não das viações.
“Temos muitos problemas e ninguém aparece aqui para verificar o que está acontecendo”, disse José Carlos Priola. “Pagamos para ter os serviços, mas não temos nada”.
Ao lado da preocupação com as próprias condições de trabalho, os funcionários reclamam igualmente do pouco caso com os usuários. À falta de um guichê de informações soma-se um desconforto inimaginável para quem precisa esperar minutos ou horas pelo embarque.
“Não tem um sistema de som sequer ou televisão para os passageiros, um banheiro decente. Aqui (o terminal) só está bom para os skatistas e ciclistas que tomam conta do lugar nos fins de semana”, disse Adriana Bertoni.(PG)
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.