O terminal rodoviário de Franca está abandonado. O local não oferece nenhuma estrutura para os milhares de passageiros que o utilizam todos os meses. Não há segurança, muito menos conforto.
Não existe fiscalização, manutenção ou serviços oficiais como polícia e juizados. Mendigos dormem pelos bancos e o cheiro de urina impregna o ar. Faltam lâmpadas nas luminárias e a iluminação existente mais ameaça que protege. Lixo se acumula pelo entorno e o mato cresce por todos os lados.
Numa rápida passagem pelo local, a reportagem do Comércio da Franca colecionou reclamações e desabafos. Funcionários das empresas e os seus gerentes criticam a administração municipal por ter relegado a rodoviária a um quinto plano. Entre os usuários, não é diferente. Gente que precisa usar o terminal para suas viagens e se impressiona pela quase inutilidade do lugar.
Inaugurado pelo ex-governador Paulo Maluf em novembro de 1979, quando Maurício Sandoval Ribeiro era prefeito em Franca, o terminal já passou por bons momentos. Havia interesse de comerciantes em se instalar por ali e o poder público investia para atrair cada vez mais passageiros. Hoje, não acontece nem uma coisa nem outra. A população classe A do Jardim América, que não existia à época do surgimento da rodoviária, viu a aposta do município se deteriorar e afundar.
A idéia de Sandoval era tirar os ônibus do centro de Franca, onde as passagens eram vendidas em guichês no extinto mercado modelo municipal, transferindo-os para outro local. A iniciativa encontrou resistência de vereadores, que não queriam ver acabar o movimento de passageiros na área central por interesses diversos. Econômicos, sobretudo.
Mas o desinteresse da administração não é exclusividade desta gestão, embora nela tenha se acentuado. O governo de Gilmar Dominici (PT) também foi marcado pela negligência do Executivo em investir e melhorar o aspecto do lugar. Hoje, os reflexos dessa anti-administração estão por toda parte. O mato cresce fazendo desaparecer o gramado e os canteiros, colaborando ainda mais para a imagem de abandono. Há muito lixo por todos os lugares.
O serviço de limpeza é realizado de segunda a sexta por duas pessoas que passam o dia recolhendo restos de cigarros e varrendo a área de embarque e desembarque. Aos fins de semana, eles não trabalham. No dia em que o Comércio estava na rodoviária, eram dois homens, um deles com deficiência mental e física. Ambos vestiam uniformes da empresa Colifran, contratada pela Prefeitura de Franca para coleta de lixo domiciliar.
Nos últimos feriados prolongados, afirmam os funcionários das empresas de transporte, a situação era caótica, ainda mais complicada pela ausência dos dois fiscais que deveriam zelar pelo funcionamento do terminal, mas cuja escala de folga os premia com descanso justamente aos sábados, domingos e feriados, dias em que o movimento é maior. “Quando eles estão aí, já não adianta reclamar ou pedir nada. Quando não estão, aí a coisa (sic) ficar pior ainda”, disse um funcionário que não quis revelar o nome.
Até o representante da ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres) que regula o serviço interestadual de passageiros, João Paulo Souza, já cobrou providências da Prefeitura, enviando ofícios que não foram respondidos.
Quem desembarca não consegue uma mínima informação. O guichê que deveria ter um funcionário para isso está fechado há meses. A tarefa de apresentar a cidade, a contragosto, é feita pelos próprios vendedores de passagens ou pelos taxistas de plantão.
Ao contrário de outros terminais rodoviários de cidades bem menores que Franca, não há uma sala para juizado de menores. Nessas repartições, pais, parentes e responsáveis deveriam obter de representantes da Justiça a autorização para viajar com crianças.
Mas a situação que mais toca aos usuários e funcionários é a falta de segurança. Um box destinado à Polícia Militar também está vazio. Teoricamente, deveria estar reservado para casos de prisão em flagrante. Mas não vê PMs há muito tempo. A corporação militar e a Guarda Civil Municipal dividem as queixas de funcionários e usuários. “Não precisa nem esperar que eles venham, porque não virão mesmo”, disse Adriana Bertoni, 26, funcionária das empresas Cristalense e Andorinha. “Na maioria das vezes, somos nós mesmos que, com a ajuda de outras pessoas, resolvemos problemas que surgem aqui”. Por problemas, entendam-se de casos de bebedeira ou gente que quer embarcar sem passagem a pessoas armadas ou assaltantes que encontram no breu que cerca a rodoviária o cenário ideal para praticar crimes. “Todos já viram pessoas armadas andando à noite por aqui, mas o que podemos fazer?”, questionou um taxista.
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