O comerciante Antenor da Silva Pinto, 46, morador em Cristais Paulista, foi um dos primeiros a parar próximo ao local do acidente. Ele viu o trabalho dos bombeiros, que tentavam remover do carro os corpos dilacerados. Foi embora abalado. Ao chegar em casa e ligar o rádio na Difusora AM, o choque: seu filho de 17 anos, Jean Flander Silva Pinto, de seu primeiro casamento, estava entre as vítimas fatais. “Liguei para a mãe dele e ela disse que o Jean estava dormindo. Foi olhar em seu quarto e não o viu. Aí, eu já sabia que ele tinha morrido no acidente”, disse Antenor.
Comércio - Como o senhor ficou sabendo que seu filho estava entre os mortos?
Antenor - Fui buscar pão pela manhã, vi o movimento na rodovia e o caminhão tombado, mas não sabia que era ele. Quando cheguei em casa, ouvi o nome dos meninos na Difusora. Na hora, liguei para a mãe dele, em Pedregulho, e ele não estava em casa. Aí já tive certeza que era o Jean, meu filho.
Comércio - Jean era estudante?
Antenor - É, ia para a faculdade no ano que vem (pausa). Está difícil de falar, é complicado isso (com os olhos marejados). Tenho um casal de filhos do segundo casamento, mas um não cobre a falta do outro.
Comércio - Vocês se viam com freqüência?
Antenor - Sempre estávamos juntos. Na quinta-feira eu liguei para o Jean e disse que havia depositado sua pensão alimentícia. Ele vinha, dormia aqui em casa. Recentemente, era mais difícil, mas eu sempre tinha contato.
Comércio - Como era o Jean?
Antenor - Gente fina demais. Meu filho nunca sequer discutiu com os outros. Era excelente pessoa. Era um garoto muito bonito (mostrando a foto de Jean). Fazia jiu-jitsu, era alegre. Todo mundo gostava dele.
Comércio - O que ocorreu na noite do acidente?
Antenor - Às dez da noite (de domingo) ele estava na casa da mãe quando um colega ligou em seu celular. Jean só falou para a mãe dele que ia sair um pouco, mas foi para Franca, não sei exatamente onde. Na manhã de segunda, assustado ao ouvir o nome dele na rádio, liguei para ela para saber se Jean estava em casa. Ela disse que o Jean estava dormindo. Pedi para confirmar, ela foi olhar no quarto e não o viu. Aí, eu já sabia que ele tinha morrido no acidente.
Comércio - Jean costumava beber com os amigos?
Antenor - Esse amigo dele (Jairo Eugênio do Nascimento, que dirigia o Chevette) vai ver que bebia, porque o Jean não bebia nada de álcool. Ou ele bebeu um pouco, ou estava com sono. Segundo o motorista do caminhão, o carro vinha gangorrando na pista. Pelas marcas de brecada, o caminhoneiro estava certo. Infelizmente, nada mais pode ser feito.
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