Milhares de pessoas lotaram, durante toda a madrugada, o Velório Municipal de Pedregulho para prestarem a última homenagem aos quatro amigos mortos no desastre na Rodovia Cândido Portinari.
Até mesmo moradores de outras cidades passaram pelo local. A cidade, literalmente, parou diante da tragédia.
A comoção era tamanha que era quase impossível entrevistar amigos e familiares. Ninguém conseguia concluir as frases. Quem falava pedia para não ter o nome divulgado. Até mesmo os que tinham contato mais distante com os rapazes ou nem os conhecia. Os jovens foram conduzidos um a um do velório para o cemitério da cidade. Enquanto a última sepultura não foi baixada, por volta das 9 horas de ontem, ninguém foi embora.
O funcionário de uma fazenda próxima ao ponto da batida disse que colocará cruzes no local em homenagem aos rapazes. “Não os conhecia, mas é uma coisa que choca a qualquer um que tenha coração”, disse, visivelmente abalado.
Quem conhecia os rapazes não se conformava com a tragédia. “Eles tinham amizade com meu enteado, sempre saíam juntos, sem brigas e sem confusão. Tenho um ônibus e levava o pessoal para todo lugar e nunca deram dor de cabeça. Eram garotos excelentes”, disse um motorista.
A sapateira Maria das Graças da Silva, 45, conhecia bem as vítimas, principalmente o comerciário Mário Sérgio Camargo Rocha, 17. “O Mário era filho do meu atual marido. O pai dele nem o deixava sair de casa”, contou.
Ela definiu o adolescente como pacífico e honesto. “Era um garoto de bem com a vida, que não tinha problemas com ninguém. Mas é sempre assim: quando não se tem problemas, vem um e tira a vida dessa pessoa. Todos eles farão muita falta”, disse.
As quatro vítimas do acidente foram sepultadas no cemitério municipal de Pedregulho na noite de segunda-feira e manhã de ontem, com trabalhos das Funerárias Tedesco, Santa Bárbara e São Francisco.
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