Trabalho é trabalho em qualquer área. Para Ailton de Souza Teixeira, 28 anos, casado, três filhos, a frase faz mais sentido ainda. Ele é “coringa” na empresa que trabalha, a Mariner. “Ser ‘coringa’ é saber transitar em todos os setores da fábrica quando se é acionado para qualquer função”, explica Ailton. Ou seja, ao longo dos anos de experiência no chão de fábrica ele já passou pela colagem, foi chanfrador, apontador, expianador, acabador, moldador, operador de injetora, frezador, etc.
Assim como a carta do baralho utilizada para “assumir qualquer valor dependendo do jogo”, Ailton é acionado quando falta algum trabalhador em qualquer área. “Em determinado momento precisa-se de mais de um funcionário na função tal e sou acionado. A fábrica não pode parar”, diz ele, orgulhoso de ser coringa. Pelo trabalho, recebe algo em torno de R$ 800. Tem ensino médio completo - antigo segundo grau.
No dia 1º de maio, dedicado ao trabalhador, deve passar um tempo no Clube dos Sapateiros. Sócio do sindicato da categoria, ele usufrui de benefícios como corte de cabelo, descontos em lojas conveniadas e auxílio-médico e odontológico subsidiados, por exemplo. A crise calçadista passa ao longe de Ailton. “A empresa em que eu trabalho está firme, com muitos pedidos, e não temos medo de que ela (a crise) nos afete”, afirma.
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