Os pesquisadores da Unifran, que investigam as propriedades da pimenta há 7 anos, registraram um importante reconhe- cimento de tanto tempo de trabalho em março deste ano. Em março, assinaram um acordo com a JP Farmacêutica de Ribeirão Preto para fazer os testes pré-clínicos (em animais) e clínicos (com pessoas) de dois medicamentos para controlar o Mal de Chagas e curar a esquistossomose (barriga d’água).
Os ensaios custarão R$ 600 mil e a empresa financiará 50%. O início dos trabalhos depende da aprovação do projeto pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). “Aguardamos a resposta da fundação, que financiará a outra metade dos recursos. Acredito que será aprovado, pois a Fapesp e Unifran nos apóiam desde o início das pesquisas”, disse o pesquisador e coordenador dos trabalhos, Márcio Andrade.
Os testes pré-clínicos serão feitos em animais de grande porte, no laboratório da Unicamp, certificado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A primeira fase clínica verificará a existência ou não de efeito colateral em pessoas sadias e será desenvolvida no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto. Na etapa seguinte, os testes serão com humanos infectados em Belo Horizonte porque Minas Gerais é o Estado brasileiro com maior foco do Mal de Chagas e esquistossomose. Concluídas essas fases, as patentes deverão ser licenciadas junto à Fapesp, e os medicamentos, lançados no mercado. “Há muito o que fazer até chegarmos à fórmula e posologia ideais para a administração em humanos, mas se tudo der certo, no máximo em dois anos os produtos estarão à venda”, disse Márcio.
DESCOBERTAS
A equipe de Márcio Andrade trabalhou no isolamento da cubebina a partir de uma espécie de pimenta e, em 2004, por meio de reações químicas, descobriram que um dos derivados sintéticos da substância (hinoquinina) era capaz de matar o protozoário causador da doença de Chagas e outro derivado (metilcubebina), de curar a esquistossomose, duas doenças sérias e que ainda fazem muitas vítimas. A expectativa é conseguir bons resultados no tratamento com humanos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.