Pimenta que salva


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O pesquisador Márcio Andrade mostra porções de cubebina (esq.) e de sementes da pimenta asiática: derivados da substância podem ajudar no tratamento do Mal de Chagas, esquistossomose e mastite
O pesquisador Márcio Andrade mostra porções de cubebina (esq.) e de sementes da pimenta asiática: derivados da substância podem ajudar no tratamento do Mal de Chagas, esquistossomose e mastite
Amarronzadas, de casca enrugada, pequenas como cerejas em miniatura e usadas na Ásia em forma de chá para combater infecções urinárias, as sementes secas da pimenta asiática (Piper cubeba) não aparentam conter substâncias eficazes para o tratamento de doenças sérias. Mas as possuem. A cubebina, isolada e cristalizada, é uma delas. Um estudo pioneiro realizado na Unifran (Universidade de Franca) com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) já mostrou que derivados dessa substância natural extraída das sementes são capazes de controlar a Doença de Chagas e curar esquistossomose (barriga d’água). Agora, o produto será testado também na produção de medicamentos para combater a mastite, uma inflamação das glândulas mamárias do gado leiteiro bastante comum e que prejudica a lactação. A descoberta foi possível a partir de reportagens publicadas sobre as pesquisas desenvolvidas em Franca sob coordenação do farmacêutico e professor Márcio Andrade. Analisando tais reportagens, a empresa Ouro Fino Saúde Animal, de Cravinhos, interessou-se em fazer testes com derivados da cubebina. “Ao saber dos bons resultados no tratamento da esquistossomose, que é causada por parasita, a empresa resolveu testar a substância no combate a microorganismos, já que a mastite é causada por bactérias”, disse Márcio. Para fazer os testes a empresa e a universidade firmaram um convênio. A Unifran compra a pimenta e se responsabilizará pela parte química do processo: extração da cubebina e formação dos derivados. Os coordenadores do trabalho na Ouro Fino farão os testes no produto, o que deve acontecer nas próximas semanas. Se obtiverem sucesso nos ensaios laboratoriais, licenciarão e produzirão o medicamento (pomada) de uso veterinário para comercializá-lo. Na opinião de Márcio Andrade, a probabilidade de eficácia no tratamento da mastite. “A hinoquinina, derivado da cubebina a ser usado nos testes, apresenta alto poder analgésico e antiinflamatório. Em ensaios já realizados, a substância se mostrou eficaz no combate a microorganismos da cavidade bucal, que são muito resistentes. As chances de sucesso são grandes”. O pesquisador não soube informar quanto a empresa investirá, mas, disse que se o produto apresentar eficácia e for comercializado, os royalties serão divididos entre a Fapesp, titular da patente da cubebina para uso antiinflamatório e analgésico; entre os inventores do produto e a Unifran e USP (Universidade de Franca) de Ribeirão Preto, pois os professores das duas instituições participaram das pesquisas e universidades são co-titulares da patente.A previsão é de que os medicamentos para tratamento dos animais estarão disponíveis para uso já no primeiro semestre de 2007. MAIS INVESTIMENTOS Os estudos sobre as propriedades da cubebina são feitos há sete anos em Franca e os resultados surpreendem os pesquisadores, incentivando-os a fazer testes no combate a outras doenças importantes. Malária, hanseníase, toxoplasmose e tuberculose estão na lista.

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