O movimento que traz vida e dinheiro ao Centro todos os sábados também traz de arrasto muitos problemas. Consolidada pela inépcia da prefeitura ou proporcionada pelo vandalismo generalizado, fato é que a falta de estrutura é notável, bastando, para certificar, um breve caminhar pelo calçadão.
Em um espaço físico relativamente pequeno, faltam bancos, lixeiras não existem. Banheiros públicos, se houvessem, seriam uma benção. Mas, pelo contrário! Quem se sentir apertado terá que recorrer aos sanitários de alguma loja qualquer. Quem anda com crianças e sacolas a tiracolo sabe o que isso significa.
Excetuando a Praça Nossa Senhora da Conceição, onde os canteiros são bem cuidados, o que se percebe é que horrendos espinheiros tentam emprestar algum verde para o resto do Centro.
Na lista dos deveres cidadãos, que toda pessoa deveria estar educada para cumprir, jogar papel no lixo é uma tarefa que não se consegue realizar no centro de Franca. Não há lixeiras suficientes, e a cada dia uma é destruída, seja por fogo, por chutes ou pelos pára-choques dos caminhões que, na madrugada, abastecem as lojas dos comerciantes que deveriam ser os primeiros a zelarem pela beleza do espaço que lhes compete.
Alheios à feiúra que os cerca, vendedores de tudo vão ganhando o pão. Carlos Henrique vende pulseiras de plástico com motivos da bandeira brasileira a R$ 1; Jucimara entrega panfletos da primeira escola de pesponto de calçados que realmente funciona em Franca. “A cidade precisa se desenvolver. Faça uma visitinha”, diz ela.
Ao contrário do vendedor de balas que aborda os passantes na esquinas da loja de fotos, do garoto-propaganda que grita “entra, que o tênis está quase de graça”, de um outro que se veste de um pobre boi-bumbá, fazendo tudo o que pode para chamar a atenção, ou dos adolescentes que distribuem sacolas de plástico de uma confecção, que em seguida serão jogadas no chão, todos ganhando a vida no grito e na desinibição, o corre-corre do Centro passa alheio para algumas pessoas, que não são, necessariamente, os idosos que se debruçam sobre os tabuleiros de damas ou as pedras de dominó.
Gente como Jovelina Sena, que passa os dias, e não apenas os sábados, vendendo seus pequenos adereços de tricô, seus panos de prato bordados e suas balas de coco. É desse pedaço da cidade que ela tira parte de sua renda mensal de R$ 450. Sem experiência com o público, viu-se forçada a ir para o Centro trabalhar quando ficou sem o emprego fixo que tivera durante mais de 15 anos. “Gosto do movimento, mas tenho um pouco de medo”, revelou. “A gente nunca sabe a intenção de quem pára para conversar”.
São 15 horas. Portas começam a abaixar. Gerentes fecham o caixa e abrem a camisa. No terminal urbano, quem se espremia nas lojas, agora se espreme nos ônibus. É hora de voltar para casa. Até o próximo sábado.
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