Dia de compras


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Homem descansa com criança na porta de uma das lojas do Centro de Franca enquanto observa a intensa movimentação na manhã de sábado
Homem descansa com criança na porta de uma das lojas do Centro de Franca enquanto observa a intensa movimentação na manhã de sábado
Sábado, 8h30. As ruas pelas quais Franca viu passar sua história daqui a pouco receberão seus personagens mais contemporâneos. Por enquanto, taxistas, policiais, esportistas de ocasião, andarilhos, comerciantes e trabalhadores formam o simulacro da babel em que se transformará o quadrilátero formado por 18 quarteirões no centro da cidade. Num período de seis horas, milhares de pessoas visitarão o comércio central de Franca, atraídas, sobretudo, pelas lojas mais populares. Não existem endereços exclusivos nessa área. É lugar para quem a economia convencionou inserir nas pejorativas classes C, D e E. São pessoas que vêm dos bairros mais afastados de Franca e da região atrás de produtos baratos, cuja qualidade, às vezes, é duvidosa. À porta da loja que vende rasteirinhas por R$ 4,90, apenas no dia, o ambulante anuncia uma maravilha tecnológica capaz de picar cenouras tão finas quanto um fio de cabelo. Custa R$ 5, o que parece não seduzir boa parte da clientela. Na Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) não existem cálculos oficiais sobre o dinheiro que entra nos caixas das lojas, mas numa rápida passagem é perceptível que comerciantes riem mais quando o sábado coincide com o pagamento das indústrias e do funcionalismo público. Que o diga Wellington José da Silva, 41, dono de uma lanchonete na Rua Voluntários da Franca, que no sábado, dia 8, semana de salários pagos, mal conseguia atender aos fregueses que, ao meio-dia, lotavam seu estabelecimento. Estava feliz, embora rebata o ânimo com a previsão de que, quatro dias depois, as vendas cairiam novamente. “Hoje está assim porque todo mundo está com a carteira cheia”, disse ele, estimando que o movimento era 40% maior que em outros dias. Mesmo para quem não compra nada, vale o passeio. Afinal, o que moças estilosas e rapazes com seus ultra-modernos celulares estariam fazendo nos bancos mal-cuidados ao lado dos canteiros mais malcuidados ainda? Gente como Wesley Oliveira, 19, Aline Figueiredo Ferreira, 18, e Vitor Hugo, de um ano, filho do casal. Para eles, sábado é dia de diversão e o centro, mais que compras, é sinal de divertimento. Não à toa eles saem do Jardim Panorama, onde moram, pegam um coletivo e descem no terminal urbano da Rua Ouvidor Freire. E o que eles vêm fazer? “A gente vem passear, tomar sorvete, olhar as vitrines, olhar os outros”, diz Wesley. Em duas das principais lojas do centro de Franca, dezenas de pessoas suplicavam por atendimento. As duas, a confecção Torra-Torra e eletrônica Magazine Luiza, funcionam lado a lado, mas não competem nem em produtos, muito menos no preço. Enquanto a milícia Torra-Torra não tem descanso na tarefa de vigiar alguns fregueses que, descuidados, acabam saindo com cuecas, meias e calcinhas sem pagar, no Magazine Luiza, vendedores atendem clientes que vão atrás de aparelhos de som de última geração e televisores, que, de preferência, devem ser maiores que o do vizinho. No meio desse furacão, quem depende das vendas e da comissão para ganhar o sustento se vira como pode. “Enquanto o pessoal passeia e se diverte, a gente trabalha mais que o normal”, diz Eliane Alves Lemos, com um belo sorriso, apesar do cansaço, como convém a qualquer bom vendedor.

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