Chefe da PM ignora violência em Franca


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Comandante-geral da PM Elizeu Eclair Teixeira Borges, ontem, em Franca: “violência está sob controle”
Comandante-geral da PM Elizeu Eclair Teixeira Borges, ontem, em Franca: “violência está sob controle”
“Hoje observo, graças a Deus, que Franca está saindo do noticiário no aspecto policial”. A frase, completamente deslocada e distoante da realidade que o francano vive no dia-a-dia da cidade, foi proferida, na manhã de ontem, por nada menos que a maior autoridade da Polícia Militar do Estado, o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges. Em Franca para pretigiar a inauguração da nova sede da 1ª Cia da PM da cidade, o coronel concedeu entrevista à equipe do Comércio, na qual ficou evidenciado seu mais completo desconhecimento do quadro de violência que se pinta nas ruas de Franca, em especial nos últimos meses. Negou que falte policiamento nas ruas e, contrariando o que a população sente na pele todos os dias, disse que a situação na cidade está sob controle. Apoiado nas frias estatísticas, o coronel Eclair, como é chamado, exaltou o combate à criminalidade no município e afirmou que todos os dados operacionais de Franca e região são melhores no primeiro trimestre desse ano em relação ao ano anterior. “Comparativamente com municípios do mesmo padrão, Franca está, hoje, se defendendo. Já melhorou muito e vai melhorar ainda mais”. O coronel, claramente, está alheio à realidade local. Casos de roubo em que ladrões agridem, humilham e matam as vítimas são cada vez mais freqüentes em Franca (leia quadro ao lado). Certamente, ele também não tinha conhecimento, ou não levou em conta, que a própria Polícia Militar tem feito megaoperações na cidade para coibir o crime. Na última delas, no dia 20 de abril, foram usados homens, viaturas, motos e animais do canil de Ribeirão Preto, além do helicóptero Águia 7, cuja base fica em São José do Rio Preto. Ontem mesmo, apenas três horas antes de o chefe da PM conceder a entrevista, perto de 100 policiais civis de Franca e cidades da região haviam feito uma grande operação na zona leste da cidade para tentar brecar a ação dos criminosos. Quatro pessoas foram presas por tráfico de drogas e porte de arma. O terror espalhado pelos criminosos na cidade é tão grande que o comando da Polícia Civil chegou a interromper o trânsito de veículos em frente ao Plantão Policial, no período noturno, temendo um ataque com bombas de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). As constantes reclamações de falta de policiamento, principalmente por parte de moradores da periferia da cidade, foram rebatidas pelo comandante. “Acontece um fato e daí falam: o bairro está desprotegido. A polícia está presente. Na realidade, o que o povo deseja, e eu acho que está correto, é um policial em cada quarteirão. Isso jamais nós teremos”. Ao comentar o latrocínio ocorrido quarta-feira à noite, em que o comerciante Valdir José da Silva foi morto dentro de casa ao lado da mulher e do filho por reagir ao assalto, o coronel não admitiu a falta de segurança e proferiu mais uma das muitas frases infelizes da entrevista. “A morte nunca se justifica, é extremamente lamentável, mas se nós, policiais militares, tombamos no cumprimento do dever, imagine um civil que não tem esse preparo”. Coronel Eclair finalizou a entrevista prometendo preencher as 150 vagas para policiais militares existentes no Batalhão dentro de um ano. Colaborou Marcos Junqueira

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