Em meio a bravatas, caretas e alfinetadas à imprensa, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) apresentou, em entrevista coletiva na manhã de ontem, o programa de coleta seletiva de lixo que será realizado pela Colifran e pela Cooperfran (Cooperativa de Catadores de Materias Recicláveis de Franca) a partir de terça-feira. Em dois dias, essa foi a terceira aparição pública em que o prefeito demonstrou nítido mau humor.
Na quinta-feira pela manhã, Sidnei já havia criticado a imprensa da cidade. “Só estão dispostos a ressaltar problemas”, esbravejou durante a inauguração do terceiro andar da Santa Casa. Na tarde do mesmo dia, o prefeito, em cerimônia com agricultores e o novo secretário estadual da Agricultura, Alfredo José Macedo Filho, mudou o alvo das críticas. “Vocês, agricultores, precisam agir em vez de só ficar reclamando”, disse.
Ontem, Sidnei deu mostras de que a noite de sono parece não ter sido suficiente para extinguir o mau humor de quinta-feira. Antes mesmo de iniciar a coletiva, o tucano derrubou o copo e a garrafa de água que estavam sobre a mesa. Foi apenas o primeiro sinal de irritação. O prefeito iniciou o discurso, mas o anúncio do novo sistema de coleta seletiva acabou ficando em segundo plano. Ao contrário do que ele mesmo já fez em outras entrevistas, não permitiu perguntas durante a explanação. “Deixe eu terminar por favor”, interrompeu o repórter, ríspido, ignorando a pergunta. A metralhadora de críticas, ligada desde o dia anterior, voltou a alvejar a imprensa, com claros sinais de que o Comércio e a Difusora são os alvos principais. “O ditador conversou”, disse ironicamente ao explicar o processo de decisões que envolveu a reformulação no sistema de coleta seletiva de lixo em Franca, em nítida alusão a editorial do Comércio que tratava das repetidas atitudes unilaterias tomadas por ele nas últimas semanas. O ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), um dos alvos preferidos de Sidnei, não deixou de ser mencionado. “Nos últimos anos, criou-se a mania de o prefeito não mandar. Comigo é diferente”, disse, sem receio de reafirmar sua vocação de concentrador de decisões.
Depois de caretas, voz elevada e batidas na mesa, o prefeito encerrou o discurso e abriu espaço para que a imprensa fizesse perguntas. Detalhe: só falaria sobre coleta seletiva. Nada mais. O repórter Marcos Silva, da rádio Difusora AM, pediu ao prefeito uma entrevista exclusiva, mas não foi atendido. “Isto é uma coletiva. Só falo para todos ao mesmo tempo”. Sem mais manifestações dos jornalistas presentes, Sidnei se levantou e rumou para a porta. Quando deixava a sala, a reportagem do Comércio ainda tentou interpelá-lo. “Por que não falar sobre outros assuntos, prefeito?”. Foi a condecoração da antipatia: “Porque isso é problema meu. Falo sobre o que eu quiser” disse. E saiu.
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