Durante sua passagem por este mundo, Jesus constituiu o grupo dos doze apóstolos. Eles tiveram a alegre experiência de conviver com o Senhor: escutaram suas palavras, viram os milagres, comeram com ele, acompanharam seu sofrimento até à morte da Cruz e receberam a notícia da sua ressurreição.
Os fatos alegres e tristes que viveram, as lições recebidas, tudo contribuiu para que o próprio Cristo os chamasse para dar “testemunho” perante o mundo.
Ser testemunha de alguma coisa ou de uma pessoa implica um risco: o sofrimento.
Os apóstolos testemunharam de verdade quando, um após o outro, se depararam com o martírio. No entanto, em poucas décadas, haviam realizado aquilo que parecia impossível aos homens, isto é, pregar o Evangelho a todo o mundo, fazendo discípulos todos os povos.
A força para cumprir importante missão era alimentada pelo Espírito Santo.
Tal testemunho continua ainda hoje na Igreja.
A hierarquia da Igreja forma aquele grupo que preside o testemunho sobre Jesus Cristo e vigia sobre a autenticidade desse mesmo testemunho.
Os fiéis ou leigos são, também eles, testemunhas da ressurreição de Cristo. “Cada leigo individualmente deve ser perante o mundo uma testemunha da ressurreição e vida do Senhor Jesus e sinal do Deus vivo”. Tal afirmação se encontra na “Lúmen Gentium”, n.º 38, do Concílio Vaticano II.
Os cristãos leigos devem deixar de considerar-se testemunhas apenas passivas da fé, para se tornarem testemunhas ativas e criativas.
Não se pode testemunhar honestamente aquilo que se conhece simplesmente por ouvir dizer; a testemunha não é crível a não ser quando fala de coisa que viu e ouviu, em outras palavras, daquilo que viveu.
Eu posso testemunhar que Cristo ressuscitou e está vivo somente se Ele ressurgiu em mim e se está vivo em mim.
Quando experimento a sua presença e a sua consolação, quando me dá a força de abrir-me aos outros, de perdoar e estar alegre, então entendo que, de fato, Ele ressuscitou e estou à altura de testemunhá-lo aos outros. Tudo o mais não convence, pois, é como o sol pálido do inverno, que ilumina, mas não aquece.
Para ser testemunha de tudo isso no meio do mundo é necessário que a Palavra de Deus volte a recobrir os espaços e os tempos da vida quotidiana, e, para que tal aconteça, é preciso que todos os crentes voltem a tomar posse da Palavra de Deus, a familiarizar-se com ela, a sentir-se pessoalmente responsáveis e depositários dela junto à família e nos locais de freqüência diária.
Muitas vezes achamos o evangelho difícil ou que não temos
competência para falar de Deus aos outros.
O medo desaparecerá pois Jesus não nos deixará a sós falando d’Ele, estará sempre presente, abrindo nossa mente, para que compreendamos as Escrituras.
O cristão não pode ficar com a boca fechada, pois, a Palavra de Deus é mais eficaz do que qualquer ensinamento, porque a Palavra ilumina a vida e se deixa iluminar pela vida.
O mundo violento em que vivemos precisa de Paz e nós, homens e mulheres de boa-vontade cristãos, temos a solução: testemunhar com a vida diária que Cristo vivo mora dentro de nós.
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.
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