O jovem Wesley Garcia Rodrigues, 18, é um dos sapateiros readmitidos no primeiro trimestre de 2006. Demitido em janeiro, Wesley ocupa agora um dos postos de trabalho criados pela indústria calçadista no mês de março deste ano.
O jovem conta que dois meses exatos foi o tempo em que permaneceu desempregado. “Não cheguei nem mesmo a receber a primeira parcela do seguro-desemprego”. Ele foi admitido na Calçados Calven por meio de uma indicação de um amigo. “Dei sorte e aproveitei a oportunidade”. O “auxiliar de prancheamento”, como ele mesmo se classificou, acredita também que o fato de ganhar o piso da categoria (R$ 460) tenha contribuído para a rápida reinserção no mercado de trabalho. “Quando as empresas precisam contratar elas preferem os trabalhadores que ganham menos”, disse.
O novo emprego possibilita a Wesley continuar ajudando nas despesas da família e alimentando um pequeno sonho. “Dou metade do meu salário em casa para poder colaborar. Além disso, já tirei minha carteira de habilitação e planejo comprar um carro em breve”.
TÁTICA
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, concorda com um dos argumentos que Wesley usa para explicar sua rápida admissão. Paulo Afonso acha que as demissões e recontratações realmente são uma forma de “enxugar” os orçamentos das empresas. “Ocorre o desligamento do trabalhador e, quando há a nova contratação, o salário geralmente é menor”, disse.
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