Depois de amargar um ano difícil, de crise e desemprego, o setor calçadista apresenta um forte indício de retomada. Dados fornecidos pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego do Governo Federal, contabilizam um saldo positivo de 4.419 postos de trabalho gerados em Franca no primeiro trimestre.
Do total, cerca de 75% foram criados pelas indústrias de transformação, em sua ampla maioria, fábricas de calçados. São 1.617 vagas de emprego a mais que no mesmo período do ano passado.
Os números permitem a previsão de um cenário favorável para o setor. Em 2004, ano em que a cidade viveu o “boom” do emprego, com o aumento das exportações de sapatos, o saldo do emprego, ou seja, a diferença entre os números de trabalhadores contratados e demitidos foi de 8.335. As 4,4 mil vagas geradas em apenas três meses de 2006 correspondem a mais da metade dos postos de trabalho abertos ao longo do ano todo de 2004. A continuar neste ritmo, a cidade poderia alcançar um saldo superior a 17,6 mil empregos gerados até o final do ano. O número só não deve ser atingido devido às demissões tradicionalmente realizadas nos meses de novembro e dezembro.
Outro levantamento, realizado pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), reafirma o aquecimento do segmento calçadista. Segundo os dados do Centro, 2,1 mil postos de trabalho foram gerados pelo setor em todo o Estado. Juntamente com Jaú e Birigui, Franca tem importante participação nesse desempenho.
Giuliano Spinelli Gera, diretor financeiro da Calçados Democrata, começa a sentir o aquecimento da economia. “Retomada é a palavra certa. Vê-se que, no mínimo, está ocorrendo a recomposição de postos de trabalho. No nosso caso, há também crescimento”. Alessandra Silva, psicóloga da empresa, atesta com números as afirmações de Spinelli. “Estamos com 17 vagas, 11 delas são para novos postos”.
Os números do Caged indicam que as indústrias calçadistas de Franca já reabsorveram o saldo negativo de mais de 3 mil empregados demitidos no ano passado e continuam contratando. O presidente do Sindicatos dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, concorda. Para Paulo Afonso, os próximos três meses do semestre serão determinantes para definir se haverá uma expansão do setor. “Se os números permanecerem próximos do que estamos vendo, poderemos falar em boa fase”.
Quem não acredita em boa fase é o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca (Sindifran), Jorge Félix Donadelli. Ele não reconhece os números do Caged e mantém o discurso de que os calçadistas continuam em dificuldades. “Há uma discrepância entre essas estatísticas e o que nós, do Sindifran temos”, disse fazendo referência a dados apurados pelo próprio sindicato, que apontam para um crescimento irrisório. Segundo Donadelli, o saldo seria de apenas 72 vagas.
Alheios aos números, há trabalhadores que desfrutam dos novos empregos gerados. Wesley Garcia Rodrigues, 18, é um deles. Demitido no dia 1º de janeiro, em março conseguiu novo emprego. “Dei sorte. Estavam precisando de um funcionário, um amigo me indicou e fui contratado”.
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