É hora de refletir


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Estamos a seis meses das eleições e, com certeza, o momento é de reflexão. Afinal, teremos a oportunidade de definir, simultaneamente, um novo presidente, governadores, além dos deputados federais, estaduais e senadores. Votar, consciente, portanto, é essencial para chegarmos mais rápido onde tanto queremos: na construção de um Brasil justo e de oportunidades para todos. É importante refletir, por exemplo, sobre áreas essenciais, como a saúde. Passa ano, entra ano; entra governo, sai governo, e o sistema prossegue com as mesmas e gravíssimas falhas. Filas em hospitais e postos de saúde, investimentos insuficientes e gerenciamento caótico são apenas alguns dos problemas que inviabilizam uma assistência digna. Para piorar, os profissionais não são devidamente valorizados e as condições de trabalho permanecem inadequadas e, muitas vezes, até perigosas. O Brasil virou o País dos absurdos, a despeito de sua incontestável potencialidade. Somos recordistas no pagamento de tributos. Somente em 2005, os governos das três esferas arrecadaram R$ 725 bilhões, mas a esperada contrapartida no social mais uma vez não veio. O mais lamentável é que somos submetidos a um show de horrores, que prima pela falta de lógica e de racionalidade. Recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário atesta que os tributos incidentes sobre as rações de animais giram em torno de 14,31%. Enquanto isso, os impostos sobre os medicamentos (que são mais de 20!!) representam 35,07% do valor cobrado do consumidor nas farmácias. É uma vergonha. O brasileiro, infelizmente, tem sido escolhido para vítima através de ações sem escrúpulos na área política e empresarial. E quanto menos se ganha, maior é o sofrimento. Na saúde privada, as empresas mais robustas simplesmente desistiram de atuar no segmento de planos individuais. Optaram por manter no mercado apenas os planos coletivos. Vale perguntar: o que acontecerá com a enorme parcela de cidadãos que utiliza planos das instituições em que trabalha após a aposentadoria? Nossa saúde suplementar, aliás, é um caso de polícia faz tempo. Todos sabemos das negativas de certas intermediadoras de saúde em cobrir procedimentos de pacientes, das pressões que fazem sobre os profissionais de Medicina para que evitem a solicitação de internações e exames, por exemplo, dos aumentos abusivos que aplicam todos os anos e dos honorários irrisórios que pagam a seus profissionais. Na área pública, alguns dirigentes sem nenhuma visão social, penalizam médicos e demais profissionais da saúde, também com salários ridículos e irrisórios e contratações suspeitas, tentando fugir dos vínculos formais de trabalho. Infelizmente se vê poucas autoridades tomarem atitudes firmes. Existem exceções, é claro, como as ações crescentes da Frente Parlamentar da Saúde no Congresso e Senado Nacional. É sobre essa gama de problemas e sobre tantos outros que pontuam nossas vidas em áreas diversas além da saúde, como educação, transporte, moradia, salário, que precisamos refletir muito antes da definição de como nos posicionaremos no pleito eleitoral. Eleger representantes com história de defesa dos reais interesses dos cidadãos, eleger representantes com coerência política e passado limpo é o caminho para evitar aventuras e desilusões. O Brasil está novamente em nossas mãos. Vamos aproveitar bem essa oportunidade. JORGE CARLOS MACHADO CURI é presidente da Associação Paulista de Medicina.

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