Morto por duas horas e meia. A família do aposentado Augusto Pereira da Silva, 74, internado no Hospital do Coração (HC) de Franca desde a tarde de terça-feira por conta de um infarto, teve uma tarde que nunca mais será esquecida. Por volta das 14 horas de ontem, o HC informou que Augusto havia morrido. A tristeza tomou conta dos familiares, que começaram a repassar a notícia e a preparar o sepultamento. Os órgãos do falecido chegaram a ser doados e uma funerária contratada. Cerca de duas horas e meia depois, uma nova notícia: Augusto estava bem vivo. Milagre? Não. Equívoco do hospital.
André Luis da Silva, sobrinho do “falso morto”, recebeu a notícia da morte do tio aproximadamente às 14 horas e foi ao HC. “Me disseram: vai e providencia tudo rapidamente para a liberação (do corpo)’”. De lá mesmo, ele começou a avisar parentes em Franca, Campinas, São Paulo e Pedregulho, cidade em que Augusto nasceu. “Tem gente vindo da capital para participar do velório”. Lá, moram cinco dos seis filhos do aposentado que, durante o contato com André, autorizaram a doação de todos os órgãos do pai. “Todos os filhos concordaram e eu informei ao hospital que os órgãos poderiam ser doados”.
André saiu do HC com os documentos e os pertences de Augusto para iniciar os preparativos do enterro. Ele estava na porta da funerária quando o telefone celular tocou. “Por favor, venha para o hospital que o médico precisa falar com você”, disse uma funcionária.
Sem entender as razões da convocação, André foi ao HC e, aproximadamente às 16h30, recebeu um novo comunicado. Augusto estava vivo. “‘Aconteceu um equívoco e a pessoa falecida não é ele (Augusto). O hospital pede desculpas pelo transtorno causado’. Não foi nada mais do que isso que disseram”, contou André. A assessoria de imprensa do HC, horas mais tarde, confirmou o engano e disse que uma sindicância será aberta para apurar a responsabilidade no caso.
A alegria da notícia de que Augusto estava vivo aliviou a família. Mas não de imediato. Até que todos fossem informados do equívoco, decorreram-se horas. Às 20 horas de ontem ainda havia quem não soubesse do engano. O pedido de desculpas não bastará para impedir que a família processe o HC. “A perturbação emocional de uma história como essa é irreparável”, disse André.
Depois da morte desmentida, alguns familiares puderam visitar Augusto, que ainda não sabe que muitos choraram sua morte antes do tempo. “Graças a Deus, ele está ótimo”.
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