No conjunto de perguntas que não têm respostas para a morte de Donizete Alves, ao menos outra deve ser considerada. Durante todo o dia de terça-feira, Francisco Mazetti trabalhou em sua chácara, onde o corpo do chapeiro foi localizado, por volta das 16 horas. Pouco antes desse horário, Sinevaldo Batista Franco também esteve na propriedade, onde faria serviços de capinagem.
Em ambos os casos, mas em horários diferentes no decorrer do dia, eles trabalharam praticamente ao lado do corpo de Alves sem tê-lo notado. Mazetti, que começa suas atividades logo depois das seis horas, cuida dos canteiros de verduras que vende a comerciantes de Ituverava. Na manhã de terça ele notou que alguns canteiros foram pisados, que a cerca de arame farpado, que faz pequenas divisões na chácara, estava fora do lugar e um galinheiro estava parcialmente destruído. Pela descrição do dono da chácara, é possível imaginar uma trajetória em linha reta, levando a crer que uma pessoa tenha mesmo produzido os estragos notados por ele.
Na chácara existem diversos cachorros, de diferentes tamanhos, que não teriam sido despertados por qualquer tipo de barulho. O produtor afirma que também não viu ou ouviu nada.
Apesar de passar boa parte do dia na propriedade, na terça-feira Francisco Mazetti não teria se dado conta de que o corpo de Donizete Alves, a quem conhecia, estava ali havia horas afundado em um alagadiço, próximo a um córrego lamacento, cercado de vegetação rasteira, que corta a chácara. “Quem é que poderia imaginar que o rapaz estaria morto aqui dentro?”, questionou.
Sinevaldo Franco, que estava em seu primeiro dia de capinagem na propriedade de Mazetti, permaneceu pelo menos duas horas a uma distância inferior a dez metros do corpo de Alves sem ter visto nada. Disse apenas que estranhou o momento em que muitas pessoas entraram na chácara depois que o corpo de Donizete fora encontrado.
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