Polícia investiga morte suspeita de chapa

Exames preliminares de autópsia afastam a possibilidade de o chapa Donizete Pedro Alves, 33, encontrado morto terça-feira à tarde em Ituverava, ter sido espancado até a mor

27/04/2006 | Tempo de leitura: 5 min

Familiares choram a morte do chapa Donizete Pedro Alves (no destaque) durante o velório no Cemitério Municipal de Ituverava na manhã de ontem: caso continua sem explicação
Familiares choram a morte do chapa Donizete Pedro Alves (no destaque) durante o velório no Cemitério Municipal de Ituverava na manhã de ontem: caso continua sem explicação
Exames preliminares de autópsia afastam a possibilidade de o chapa Donizete Pedro Alves, 33, encontrado morto terça-feira à tarde em Ituverava, ter sido espancado até a morte, como sustentam familiares e amigos. A afirmação é do médico-legista que examinou o corpo, Jorge Luiz Soares de Souza. Para ele, a hipótese mais provável é de infarto. A afirmação não é suficiente para acabar com a angústia vivida pela família da vítima, que acredita que ele foi assassinado pela Polícia. A denúncia de familiares levou o comando da PM a iniciar uma investigação para averiguar o eventual envolvimento de oficiais na morte de Donizete, mas a história continua confusa. Ontem de manhã, o Comércio da Franca acompanhou parte do velório e o enterro de Alves, no cemitério municipal de Ituverava, pouco antes das 8 horas. Havia uma comoção comedida em torno do que aconteceu. Parentes e amigos voltaram a afirmar à reportagem que acreditavam que o rapaz teria sido espancado até a morte por policiais militares. Sua mulher, Roseana Aparecida Campos, confirmou toda a história que havia contado à reportagem na noite do dia anterior. Seu marido havia sido perseguido por policiais militares na noite de segunda-feira, perto de 23 horas. Pouco antes, às 18h30, policiais haviam cercado a Rua Luiz Airó atrás de Tiago André Furtado, conhecido como “Tiaguinho”, vizinho de Donizete, que havia praticado um assalto na cidade. Estranhando a movimentação policial, o marido de Roseane teria procurado saber o que estava acontecendo, quando foi rendido por policiais. Em sua versão, o casal foi levado ao plantão policial, de onde foi dispensado, já que não havia nenhum envolvimento com a prisão de “Tiaguinho”. Na versão da polícia, Donizete e Roseane teriam ido a pé para a delegacia, distante 500 metros de sua residência. Não há consenso sobre o que ambos foram fazer na unidade policial. Roseane disse que Donizete Alves era muito preocupado com a polícia e estava apenas querendo ver se não era “nada com ele”. Alves era velho conhecido das polícias Civil e Militar de Ituverava. Há seis anos esteve preso sob diversas acusações. Sua ficha policial aponta condenações por lesão corporal, estelionato, receptação, desacato, resistência, ameaça, furto, roubo e tentativa de homicídio. Durante os cinco meses que cumpriu pena, disse Roseane, teve o braço esquerdo quebrado por policiais. A mínima suspeita da presença da Polícia já o atemorizava, fato confirmado pelo delegado Wilson dos Santos Pio, que também disse haver investigações da Polícia Civil ligando Alves ao comércio de drogas na Vila Beatriz, embora não houvesse nada formalizado contra ele. Dispensados por policiais na porta do plantão, Alves e Roseane teriam vindo embora quando, às 23 horas, foram abordados pelos soldados Daniel e Pierazo, pedindo que o chapa voltasse com eles para a delegacia, pois o comandante do policiamento, tenente Márcio Cardoso, queria interrogá-lo. Estavam a menos de 250 metros de casa. Esta versão coincide com as apresentadas tanto pela Polícia Militar quanto pela própria viúva. Mas a semelhança pára por aí. Sem camisa, descalço e vestindo apenas uma bermuda, Donizete teria dito aos PMs que não voltaria para a delegacia, quando desvencilhou-se da abordagem e saiu correndo em direção a chácaras existentes poucos metros à frente. Segundo a mulher, foi perseguido pelos dois policiais. A PM afirma que Alves teria destratado o oficial Cardoso e, por isso, foi determinada sua recondução à delegacia. O comando do 15º Batalhão em Franca afirmou que os policiais não correram atrás dele nem empreenderam qualquer tipo de busca naquele momento. SEM EXPLICAÇÃO Não está explicado porque Donizete Alves, que estava perto de casa, preferiu correr por outro caminho, entrando em uma chácara com áreas alagadas (leia texto nesta página) ou como, mesmo com o marido perseguido por policiais, Roseane foi embora para a casa, passando a procurá-lo apenas na terça-feira, após as 7 horas, oito horas depois de seu suposto desaparecimento, cujo registro não foi aceito pela Polícia Civil. Encontrado por uma vizinha e pela filha de 11 anos, o corpo de Donizete Alves estava de bruços em um charco próximo à uma plantação de verduras, na propriedade de Francisco Mazetti, perto de sua casa. Apresentava múltiplos ferimentos e escoriações leves, mas não tinha nenhum tipo de perfuração ou trauma grave aparente. De acordo com o médico Jorge Luiz de Souza, que o autopsiou, as análises preliminares do cadáver indicam morte por infarto. Não havia quebraduras de ossos, face ou dentes, hemorragia interna ou grandes sangramentos. À Polícia Civil, a irmã de Donizete, Renata Alves, fez constar no boletim de ocorrência que o irmão era hipertenso e havia bebido e comido muito na noite em que desapareceu. Como surgiu a possibilidade da ingestão de drogas, suas vísceras foram recolhidas e enviadas para exames toxicológicos em Ribeirão Preto. Os resultados deverão sair em até 30 dias. Roseane Campos disse que o marido tinha uma saúde perfeita e sustentou, desde o primeiro contato com a reportagem, em entrevistas gravadas, acreditar no envolvimento de policiais militares na sua morte, assim como a irmã de Donizete. “Ele estava todo machucado e eu vou querer justiça”, disse ela. “Uma pessoa não pode morrer dessa forma”, acrescentou. Na noite de ontem, a história confusa ganhou um contorno misterioso. Roseane, que teve três filhas (5, 7 e 11 anos), com Donizete, teria mudado sua versão. À noite, em depoimento oficial ao capitão Paulo Eduardo Juliane, destacado pelo comando da PM de Franca para ir a Ituverava, ela teria informado que o marido não fora perseguido pelos soldados. Ela não foi encontrada para comentar a alegada mudança de sua versão.

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