Franca tem só uma viatura para atender urgências


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Imagem de arquivo mostra viatura do Corpo de Bombeiros quebrada após acidente: excesso de uso e falta de reposição provocam sucessivos problemas mecânicos
Imagem de arquivo mostra viatura do Corpo de Bombeiros quebrada após acidente: excesso de uso e falta de reposição provocam sucessivos problemas mecânicos
A dona de casa Clarice Dias Padilha levou um susto na noite de domingo. Eram 22 horas e ela assistia televisão em sua casa, na Vila Santos Dumont, quando ouviu uma forte pancada em sua porta. Ao abrir, deparou-se com um homem caído, inconsciente. A mulher ligou, pelo menos cinco vezes, para os telefones de emergência da cidade e não conseguiu socorro. “Os atendentes fizeram um monte de perguntas, me pediram para descrever o homem, mas ninguém apareceu para socorrê-lo”. Na manhã de segunda-feira, outra história parecida. Um homem sofreu queda acidental na Rua Wilson Teixeira, Belvedere dos Bandeirantes, e bateu a cabeça no chão. Populares acionaram os bombeiros, mas a resposta foi demorada. “Fiquei no local por mais de meia hora e nada. Ligamos para o Resgate e disseram que só tem uma viatura funcionando. Só Deus para tomar conta da vítima, pois o Resgate, infelizmente, falhou desta vez”, contou o sapateiro Leandro Ricardo, 22. Paulo Roberto Marcolino, 44, disse que ligou para os bombeiros e que foi orientado a ligar no 192. “Lá, disseram que não havia ambulância disponível. Demorou muito para eles aparecerem”. As duas histórias ilustram bem a situação na qual se encontra a estrutura de atendimento das urgências e emergências de Franca. A cidade, com 315 mil habitantes e sede de uma região com população estimada em mais de 300 mil pessoas, tem apenas uma viatura para atender aos pedidos de ajuda. As outras duas, estão quebradas. Num dia normal, o Corpo de Bombeiros registra, em média, 7 chamadas. Como são atendimentos delicados, muitas vezes envolvendo a locomoção da pessoa até hospitais e prontos-socorros, é fácil explicar a razão na demora no atendimento de chamados e, em alguns casos, a ausência da viatura. Quando as chamadas se avolumam, a situação fica caótica. “No fim de semana, tivemos uma média diária de 20 chamadas só de acidentes. Isso, sem contar o serviço de remoção feito pelas ambulâncias. A demanda elevada congestionou o atendimento”, disse o sargento Salviatto. No domingo, os bombeiros receberam cinco chamados de socorro num intervalo de apenas três minutos. “Em dias normais, atendemos a uma média de sete ocorrências”, disse o soldado Henrique. Até a tarde de ontem, as duas Unidades de Resgate permaneciam baixadas na oficina. A situação é tão dramática que, para não deixar a cidade desguarnecida, um resgate foi emprestado de Orlândia. Com essa medida, o capitão Humberto Shigueo Shirotori, comandante do Corpo de Bombeiros, acredita que o atendimento à população não será prejudicado. “Duas viaturas são suficientes para atender às ocorrências emergenciais da cidade. Quando há sobrecarga, solicitamos apoio da Defesa Civil e do sistema particular”.

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