‘Meu marido foi espancado até a morte’


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A mão esquerda de Donizete Alves, 33, suja de terra é vista após autópsia, realizada ontem à noite, em Ituverava: família suspeita que ele tenha sido espancado até a morte
A mão esquerda de Donizete Alves, 33, suja de terra é vista após autópsia, realizada ontem à noite, em Ituverava: família suspeita que ele tenha sido espancado até a morte
A morte de Donizete Pedro Alves, o “Teu”, 33 anos, casado, pai de três filhas, levantou suspeitas de uma família contra a Polícia Militar de Ituverava, cidade com quase 37 mil habitantes e distante 65 quilômetros de Franca. O lavrador, que também trabalhava como chapa, foi encontrado morto em um brejo próximo à sua casa por volta das 16h30 de ontem. Segundo Roseana Silva Campos, 29, sua mulher, ele estava desaparecido desde a noite do dia anterior, segunda-feira. Ela contou que o marido teria sido perseguido pela polícia na ocasião, assustado, teria fugido e sumido. Para a dona de casa, ele foi assassinado por policiais. Teu morava em um imóvel na Rua Luiz Aró, na Vila Beatriz, bairro conhecido por “Bicão”. Todo o quarteirão foi cercado no início da noite de segunda-feira por policiais militares. Eles estavam atrás de um rapaz acusado de roubo, vizinho da vítima e preso em flagrante pouco depois. Durante a busca, um PM teria apontado um revólver contra Teu, diante dos olhares da mulher. “Aí ele disse que queria falar com meu marido”, contou. Ela então se interpôs entre o policial e seu marido e acabou por dizer que o levaria à delegacia. Após a prisão do suspeito, sempre segundo a versão de Roseana, ela e Teu foram à unidade, onde teriam constatado não haver nada contra ele. No caminho de volta, dois policiais os teriam abordado, um deles dizendo que o tenente Cardoso queria conversar com Teu. “Meu marido, muito assustado, fugiu, a polícia correu atrás dele e não o vi mais. Só voltei a vê-lo hoje (terça-feira), já morto”, disse. Roseana explicou que a fuga se deu em razão do medo que ele tinha da polícia. “No passado, ele ficou seis meses preso por causa de uma briga, mas agora não devia nada à Justiça”, contou. O corpo foi encontrado pela filha de Donizete, de apenas 11 anos, em um brejo próximo à casa onde ele morava. As circunstâncias do desaparecimento relatadas por familiares, o estado do corpo, bastante sujo de terra e com ferimentos generalizados, são, para a família, provas de que Teu foi espancado até a morte. “Tenho certeza de que ele foi morto pela polícia e de que, antes disso, foi amargamente torturado. Não sei a razão, mas sei que a polícia espancou meu irmão até a morte”, disse uma irmã de Teu, que completou: “O estado do corpo dele não me deixa dúvida. Ele está com o rosto inchado, todo machucado, até pele arrancaram do meu irmão”, disse. Não é possível definir a origem dos ferimentos no corpo e do rosto de Teu. O agente funerário que cuidou do corpo disse que a pele arrancada pode ser decorrência da longa exposição ao sol. De acordo com a família, após autópsia, o legista, não encontrado pela reportagem, apontou que a causa da morte foi enfarte. A versão foi contestada por familiares. “De enfarte ele não morreu. Era um homem saudável. Ninguém tira da minha cabeça, em hipótese alguma, que ele foi espancado até a morte”, disse Roseana ainda inconformada por não ter conseguido registrar o desaparecimento do marido na delegacia horas depois de seu sumiço. “Ainda não tinha passado 48 horas e não quiseram registrar”, disse. A Polícia Militar não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Hoje, a capitã Maria Olga Rodrigues da Silva deve dar esclarecimentos sobre o eventual envolvimento de policiais no episódio. Na delegacia da cidade, o investigador de plantão não soube dizer nada sobre o caso. Ele pediu à reportagem que procurasse pelo delegado Jucélio Rego nesta quarta-feira, o único que poderia prestar esclarecimentos.

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