Vanderlei Santos Silva, 29, gostava de pescar e jogar futebol. Jovem e saudável tinha uma rotina agitada. Morava em São José da Bela Vista e viajava com frequência para vender lingerie. Na quinta-feira passada jogou mais uma partida com os amigos. No dia seguinte, começou a passar mal, com febre alta e dores fortes pelo corpo. Tinha início um longo caminho do rapaz por hospitais de sua cidade e também de Franca. Vanderlei procurou atendimento na Unidade Mista de Saúde da cidade em que morava por seis vezes.
Em outras três, foi consultado no Pronto Socorro “Dr. Janjão”. Cerca de 67 horas depois do primeiro atendimento foi encaminhado para internação. Tarde demais. Com uma parada cardiorrespiratória, Vanderlei morreu ontem às 4h50 no PS Dr. Janjão. Até agora ninguém sabe quais foram as causas da morte.
Vanderlei foi atendido pela primeira vez na manhã de sábado na Unidade Mista de Saúde de São José da Bela Vista. Desde o começo, os médicos, que chegaram a cogitar que ele estivesse com dengue, combatiam uma virose. O vendedor foi medicado com soros, anti-térmicos e analgésicos. O tratamento aliviava os sintomas e o paciente era liberado. Poucas horas depois, as dores voltavam e o rapaz era obrigado a procurar os médicos novamente. Isso aconteceu repetidas vezes, sem que ninguém se desse conta de que algo grave pudesse acontecer.
No domingo, Vanderlei acordou com febre, dores musculares e de cabeça. Os familiares o levaram para o Pronto-Socorro “Doutor Janjão” por volta das 11h30, onde tomou soro e foi liberado. À noite, procurou os médicos de São José da Bela Vista e foi encaminhado para o PS de Franca. No Pronto Socorro, a suspeita de virose continuou. Fraco e com febre voltou a tomar soro e dipirona e foi novamente liberado.
Na segunda-feira, o paciente começou a sentir dores na altura dos rins. Desta vez, a suspeita levantada pelos profissionais de São José foi de infecção renal. O paciente foi liberado após tomar litros de soro. Como se não bastasse, o vendedor teve uma crise de falta de ar à noite. Na madrugada de terça-feira, nova falta de ar, sendo atendido na mesma Unidade Mista de Saúde, de onde foi encaminhado novamente para o “Dr. Janjão”. Desta vez, ele seria internado na Santa Casa de Franca. Mas, enquanto era preparado para a transferência, Vanderlei sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu às 4h50 no “Dr. Janjão”.
QUEM EXPLICA?
Ninguém explica o que de fato aconteceu. Para Márcio Donizete, médico que atendeu a vítima em São José, na segunda-feira, faltou um diagnóstico preciso de Franca sobre o caso. O Secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, também não sabe a causa da morte e disse que averiguará o atendimento para saber se houve erro no “Dr. Janjão”. No entanto, ele descartou que o SVO (Serviço de Verificação de Óbito) da cidade faça algum exame de necropsia. “O paciente é de fora e quem vê causa da morte é a cidade dele”. A morte já foi registrada com causa indeterminada.
O enterro será hoje, às 10 horas, no Cemitério de São José da Bela Vista.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.