As ruas José Maria Jacintho Rebelo e Zeferino Ferraz, transversais entre si, se localizam na Vila Santa Terezinha, um dos bairros por onde passou o “arrastão” da Operação “Tapa-Buracos” da Prefeitura de Franca, que ontem completou duas semanas. Apesar disso, a primeira teve os buracos remendados, tornando-se transitável sem maiores sustos. A outra, não.
Isso tem ocorrido em todas as regiões por onde passou o “arrastão”, o que contraria a promessa inicialmente feita pelo prefeito Sidnei Franco da Rocha (PSDB). Num primeiro momento, as equipes de trabalho (ao todo, são oito) foram escaladas para debelarem de vez os incômodos buracos e só deixariam o bairro para ir a outro depois de completarem o serviço. Mas os planos mudaram e a estratégia furou.
A Emdef (Empresa para o Desenvolvimento de Franca) privilegiou as ruas de maior movimento por entender que ruas também importantes de outras regiões da cidade não poderiam esperar. Agora, a prioridade é fazer os reparos nas vias de maior fluxo de veículos. As de menor movimento terão que aguardar pelo menos mais um mês, conforme o presidente da empresa, Alexandre Godói.
Apesar da mudança na estratégia, a empresa promete completar a operação e tapar todos os buracos no prazo previamente estipulado, ou seja, 120 dias. Mesmo assim, os populares entrevistados se mostraram insatisfeitos.
Em um dos quarteirões da Rua Zeferino Ferraz, por exemplo, um buraco foi remendado. O mesmo não aconteceu com outro a cerca de nove metros, o equivalente à distância entre a marca do pênalti e o gol. O resultado deixou moradores descontentes. O pintor de parede Alexandre de Freitas reclamou: “Os buracos foram tampados só nas ruas onde passam ônibus. Nas outras, não dá para passar nem de carro, nem de bicicleta”.
Cesar Vicente, 48, é proprietário de um bar na esquina das Ruas José Maria Jacintho Rebelo e Frei Agostinho de Jesus, no mesmo bairro. Todos os dias vê o movimento dos carros e notou o que todos notaram. “Fizeram só as duas ruas e deixaram as travessas. A promessa do prefeito era tapar tudo. Para mim, houve falha da Prefeitura”.
Com a mudança no “arrastão”, os que mais reclamam são os motoristas. Hernani Pereira, 23, dono de um Santana, reclamava dos buracos das ruas de seu bairro enquanto lavava o seu automóvel na porta de sua residência. “Foi asfaltado só onde passam linhas de ônibus. Todo político promete. Isso é feito só para chamar a atenção do povo. Aí faz o barulho e põe a máquina no bairro. Eles tampam alguns, tiram as máquinas e vão para outros bairros. É uma enganação”.
Dono de um carro mais antigo, um Ford Corcel I, o aposentado Maurício Pinheiro Lima, 62, disse que cansou de ir ao mecânico para fazer reparos na suspensão de seu veículo. “É uma buraqueira danada. Tem que trocar borracha, amortecedores e levá-lo em oficina a toda hora. Levo no meu mecânico direto. Quando as peças começam a bater no motor, sei que é hora de encostar o meu carro no mecânico. Até quando vai isso?”
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